Bombeiros resgatam dois corpos após acidente em Manaus

Por volta das 15 horas, uma menina que tem entre 7 e 10 anos foi encontrada pelos mergulhadores

Priscila Trindade, da Central de Notícias e Liege Albuquerque, da Agência Estado,

21 Julho 2009 | 19h02

O Corpo de Bombeiros de Manaus confirma o resgate de dois corpos do acidente com a embarcação que virou na tarde desta terça-feira, 21, no Rio Negro. Segundo os bombeiros, o corpo de uma senhora, de 71 anos, foi retirado de dentro da embarcação perto das 18 h. Por volta das 15 horas, uma menina que tem entre 7 e 10 anos havia sido encontrada pelos mergulhadores.

 

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Os bombeiros haviam anunciado o resgate do corpo de uma terceira vítima do acidente, mas depois retificaram a informação, dizendo que, de fato, apenas dois corpos tinham sido retirados do rio.

 

 O barco Carolina do Norte seguia para Santarém, no Pará, por volta das 14 horas, quando virou. De acordo com os bombeiros, cerca de 185 pessoas estavam a bordo. A maioria dos passageiros foi socorrida por pessoas que estavam perto do porto.

 

A causa do naufrágio, segundo o comandante da Capitania dos Portos, Paulo Brito, pode ter sido a rapidez com que foi feita a tentativa de puxar o barco para a margem, depois de ter parado. "Um estaleiro estava puxando o barco quando ele tombou. Não estávamos esperando vítimas porque estava bem próximo à margem, mas infelizmente até agora encontramos dois corpos", disse. As buscas continuam até as 18 horas de hoje e serão retomadas pela manhã, quando o barco já deverá ter sido içado.

 

 

 

 

Segundo a assessoria do Corpo de Bombeiros, 20 oficiais dos bombeiros e da Marinha trabalham nas buscas. A assessoria informou que a embarcação tinha partido cerca de 20 minutos antes de parar por conta, provavelmente, da quebra do leme. O barco partia para Santarém, no Pará e faz a mesma viagem duas vezes por mês.

A maior parte dos passageiros foi salva por pessoas que estavam próximas do porto. "Eu vi quando o barco virou, numa velocidade impressionante. Eram gritos de socorro, gente mais ágil pulando longe e nadando", contou o feirante Luis Eduardo Melo de Souza, de 36 anos, que trabalha na feira Manaus Moderna, em frente ao local do acidente. "Sei nadar, então pulei e consegui salvar um homem e uma senhora, nem sei o nome. Ela me agradeceu insistindo para eu ficar com o terço dela, a única coisa que conseguiu salvar. Emprestei meu celular para ela ligar para buscá-la no porto".

 

Depois do naufrágio, muitos feirantes se ofereceram para mergulhar, mesmo sem equipamentos, mas foram impedidos pelo Corpo de Bombeiros. "Meu irmão saiu daqui abalado, porque ajudou a tirar o corpo da menina enrolado na rede em que devia estar dormindo", contou o feirante Benedito José Peres, de 62 anos. Segundo o feirante, o barulho feito pelo barco ao virar não foi tão grande quanto os gritos das pessoas que estavam dentro. "Dá uma sensação de impotência, porque forma um buraco enorme que demora a desaparecer quando o barco vai virando. E o buraco vai chupando as pessoas para o fundo, é terrível", contou.

 

Em abril deste ano, o barco Dona Zilda naufragou supostamente depois de bater em um barranco à margem direita do rio Amazonas, próximo a Itacoatiara, a 170 quilômetros de Manaus. Só cinco dos seis corpos desaparecidos foram localizados no fundo do rio, até uma semana depois do naufrágio, todos presos em camarotes ou banheiros da embarcação.

 

No ano passado ocorreram sete naufrágios nos rios do Amazonas, matando no total 78 pessoas. O mais grave aconteceu em maio de 2008, quando o barco Comandante Sales afundou próximo a Manacapuru, a 84 quilômetros da capital, matando 48 pessoas. Em maio, o comandante do barco foi júri popular, mas foi absolvido.

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