Bombeiros retomam buscas por vítimas pelo túnel subterrâneo

Cerca de 20 bombeiros, liderados pelo tenente Alípio, desceram mais uma vez ao túnel subterrâneo das obras da Estação Pinheiros da linha 4 do Metrô (Amarela), através de um poço localizado na Rua Ferreira Araújo por volta das 15h40 desta terça-feira, 16. O objetivo é tentar chegar até a van que caiu na cratera após o desabamento para retirar o segundo corpo dos escombros e localizar possíveis vítimas. Porém, o coronel do Corpo de Bombeiros, Antônio dos Santos, ressaltou que a principal frente de resgate continua os trabalhos em frente ao buraco onde a van está soterrada.O corpo foi encontrado na tarde de segunda-feira, dentro do microônibus, mas por causa das condições de trabalho no local, os bombeiros tiveram dificuldades para retirar o corpo. Também há indícios de que o corpo do motorista do caminhão que caiu dentro do buraco esteja no túnel da Marginal do Pinheiros. Segundo o coronel do Corpo de Bombeiros,Antônio dos Santos, durante a madrugada os cães farejaram o local e apontaram que o corpo do motorista não estaria dentro do caminhão, mas sim mas à frente, apesar de ainda não ser possível precisar a quantos metros. No início da madrugada desta terça, à 0h40, o risco de desabamento levou as equipes a jatear concreto nas beiradas da cratera com o intuito de estabilizar o solo. As buscas foram suspensas pelo risco de novos desabamentos, gerando apreensão e nervosismo entre os parentes das vítimas, que estavam acompanhando as buscas no local. Mas após os bombeiros, a consultores do Consório e geólogos analisarem o solo e as condições do local, as buscas foram retomadas pela manhã em duas frentes, uma em direção ao túnel do Metrô sob a Marginal do Pinheiros e outra no túnel que vem da Avenida Faria Lima, local onde está a van.De acordo com reportagem da Rádio Eldorado AM, o presidente do Metrô, Luís David, em visita ao local da cratera na tarde desta terça, confirmou que apesar do acidente, as obras da linha 4 vão continuar e devem ser entregues no prazo previsto, que é 2009. ?Essa obra é extremamente necessária para São Paulo e ela vai ter a sua conclusão, apesar de todos os problemas que estamos enfrentando?, afirmou o presidente do Metrô.Investigações Os promotores do Ministério Público Estadual (MPE) José Carlos Blat (criminal), Carlos Alberto Amim (Urbanismo e Habitação), e Saad Mazloum (Cidadania), além do procurador-geral de Justiça, Rodrigo Pinho, estiveram durante a manhã no local do acidente. Já o secretário de Estado dos Transportes Metropolitanos, José Luiz Portella, afirmou que o Instituto de Pesquisas Tecnológicas foi contratado para apurar as causas do desmoronamento.O MPE abriu três frentes de investigação. O órgão pretende esclarecer quem foram os culpados pelo acidente, as causas, e se houve improbidade administrativa. Por enquanto, segundo Rodrigo Pinho, continua afastada a possibilidade do ministério solicitar a interdição das obras.Para Amim houve falha de engenharia, "segundo os técnicos, falha de engenharia houve. Agora, qual eu ainda não tenho condições de dizer, nem eles", disse o promotor. "Recebemos nos dias 11 e 12, um outro pacote de documentos do Metrô, no qual havia a comprovação de monitoramento e de todo trabalho de contenção de risco nessas casas". Segundo Amim, os promotores já investigavam há algum tempo os problemas na Linha 4. O promotor Blat afirmou em entrevista que para ele " a negligência é clara". Os engenheiros, geólogos e técnicos do MP permaneciam realizando vistorias no local do acidente no começo da tarde desta terça-feira.Colaboraram Elvis Pereira, Fabiana Marchezi e Fabiana Novello

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