''''Bonde chique'''' fará ligação entre Congonhas e o Metrô São Judas

Com obra na zona sul e Expresso Aeroporto, viagem por trilhos entre os dois aeroportos de SP levará 45 minutos

Eduardo Reina, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2021 | 00h00

São Paulo vai ganhar uma linha de transporte exclusivo entre a Estação São Judas do Metrô e o Aeroporto de Congonhas por VLT (veículo leve sobre trilhos) - ou "bonde chique", como já está sendo chamado no governo do Estado. A construção sairá de uma parceria entre os governos paulista e federal. Serão cerca de 2 quilômetros de trilhos em faixa exclusiva ou mesmo em ruas e avenidas compartilhadas com veículos rodoviários. Os trechos exclusivos servirão para a reurbanização de alguns bairros por onde passará o novo trem. O custo estimado fica entre R$ 90 milhões e pouco mais de R$ 100 milhões. O VLT São Judas-Congonhas integrará a Linha 1 - Azul do Metrô com o futuro Expresso Aeroporto. Deste modo, um passageiro poderá ir de Cumbica, em Guarulhos, até Congonhas, em cerca 45 minutos, de acordo com o pré-projeto. O governo de São Paulo vai bancar 60% dos custos, enquanto a União arcará com 40%. A parceira já foi definida entre o governador José Serra e o ministro da Defesa, Nelson Jobim. A Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária (Infraero) e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) também participarão do projeto. A Infraero vai bancar R$ 450 milhões para a instalação do Expresso Aeroporto, cujo projeto está orçado em cerca de R$ 1,75 bilhão. Nessa obra também está prevista a participação da iniciativa privada, por intermédio de uma parceria público-privada (PPP). Fará a ligação entre Cumbica e a estação de trens da Luz. A previsão é concluir a licitação do Expresso até abril de 2008, para início imediato das obras. A conclusão está prevista para 2010. Esse deve ser o mesmo prazo para o VLT de Congonhas, que inicialmente tem previsão de valor da passagem similar ao da integração do sistema de transporte metropolitano: R$ 4,20. Os técnicos da Secretaria Estadual dos Transportes Metropolitanos iniciaram esta semana a elaboração do projeto final do "bonde chique". Deverão ser feitas algumas desapropriações de imóveis ao longo do percurso. Mas, por enquanto, não está definido o trajeto final. Como o VLT de Paris, chamado de tramway, que funciona em quatro linhas diferentes desde 1992, o paulista deverá percorrer trechos de avenidas ladeado por calçadas gramadas. Os quatro ramais dos tramways franceses transportam diariamente cerca de 100 mil passageiros. Em São Paulo ainda não há previsão da demanda. Mas somente o projeto do Expresso Aeroporto prevê inicialmente mais de 20 mil passageiros/dia. Serra visitou na quinta-feira o VLT parisiense. Viajou no T4, linha entre as Estações Bondy e Aulnay-sous-Bois, inaugurada em 18 de novembro de 2006. CAMPO BELO Numa segunda etapa, o governo estadual pretende fazer uma ligação da linha do VLT com a Linha 5 - Lilás do Metrô (Capão Redondo-Largo 13), com integração e construção da Estação Campo Belo. Em janeiro de 2005, quando o prefeito da capital era o atual governador José Serra, o projeto de construção do VLT tinha como destino a Estação Jabaquara do Metrô, também na Linha 1-Azul. Os trilhos do novo trem passariam por um trecho da Avenida Washington Luís e se previa ainda a parceria da Prefeitura. Antes disso, em 2003, a Prefeitura já havia iniciado o planejamento de construção de um VLT até Congonhas. Naquela época, São Paulo pleiteava ser sede das Olimpíadas de 2012 e o bonde integrava esse projeto. Como a candidatura foi vencida, a proposta acabou abandonada. INDISPENSÁVEL Para o arquiteto e urbanista Jorge Wilheim, ex-secretário municipal de Planejamento da capital, "é indispensável que o aeroporto seja atendido por transporte rápido de massa". "Um veículo leve de superfície, desde que fique em um corredor exclusivo, é uma solução boa. É preciso ter um meio para que se chegue sem automóvel a Congonhas", afirmou. Também otimista com o projeto, o urbanista Renato Cymbalista, do Instituto Pólis, afirmou que São Paulo "precisa de um sistema de capacidade mais alta para atender o movimento do aeroporto". Ela destacou ainda que o projeto deveria contar com o apoio financeiro de todas as companhias aéreas que operam em Congonhas. "Elas também serão muito beneficiadas", afirmou.

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