Bope apura ação de ex-militares em morro do Rio

O comando do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar (Bope) investiga a possível participação de 32 ex-pára-quedistas do Exército, liderados por um sargento, na invasão ao Morro da Casa Branca, zona norte do Rio, na madrugada de segunda-feira. O grupo integraria o "bonde verde", um comboio de traficantes com fardamento camuflado do Exército. O embate deixou quatro mortos e foi mais um episódio da disputa por pontos-de-venda de drogas, entre as facções rivais Comando Vermelho (CV) e Terceiro Comando (TC). Segundo informações anônimas recebidas pelo coronel Venâncio Moura, comandante do Bope, os ex-militares são parte de uma turma de 700 cabos e soldados dispensados pelo Exército em fevereiro, antes que adquirissem estabilidade. Eles teriam sido cooptados pelo CV e pela facção criminosa que atua nos presídios de SP, Primeiro Comando da Capital (PCC). A missão dos ex-militares durante ações criminosas é chegar aos locais de difícil acesso dos morros ocupados pelo Terceiro Comando e abrir caminho para os integrantes do CV. "Eles fazem parte de uma equipe que age com planejamento prévio tem melhor preparo físico, técnico e psicológico que os traficantes. São mercenários", definiu Moura. Os militares dispensados estariam sob o comando do traficante Francisco Paulo Testa Monteiro, conhecido como Tuchinha, preso na penitenciária de segurança máxima Bangu 1. Chefe do tráfico da Mangueira, na zona norte, ele passaria as ordens da cadeia direto para os pára-quedistas. Moura ainda não procurou as Forças Armadas para tentar identificar os ex-militares. "Estamos investigando a veracidade disso." Reprovados - Porta-voz da Associação de Ex-Cabos e Soldados do Exército, o subtenente da reserva do Exército Carlos Franco afirmou já ter recebido informações de que alguns militares dispensados estariam a serviço do tráfico.Franco diz que os que decidiram permanecer na legalidade têm dificuldades para encontrar emprego. "Alguns foram reprovados no concurso da PM porque têm perfil ´incompatível´ com a corporação. Podia ser diferente? O Exército prepara para matar, não para prender." Franco criticou a dispensa da equipe de pára-quedistas que cumpriram nove anos de serviço militar. "Foram colocados na rua homens de cerca de 30 anos que só aprenderam tática de guerrilha, a montar e desmontar explosivos, a manusear fuzis e metralhadoras. Eles nunca aprenderam outra coisa." Segundo Franco, é necessário que as Forças Armadas revejam a política de treinamento e dispensa dos soldados. O relações-públicas do Comando Militar do Leste, coronel Ivan Cosme, disse hoje que o Exército não pode responder pelos atos dos militares dispensados.

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