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Bope fará incursões em 16 áreas críticas do Rio

Por ordem do Comando-Geral da PM, dezesseis favelas consideradas "áreas críticas" estão, desde hoje, sujeitas a incursões diárias do Batalhão de Operações Especiais (Bope), tropa de elite da Polícia Militar. Hoje de manhã o Bope esteve em diversos morros, entre eles os de São Carlos, Mineira, Coroa e Fallet, localizadas no Estácio, Catumbi e em Santa Teresa, região central. A determinação veio um dia depois de um intenso tiroteio entre traficantes da Coroa, Mineira e policiais, que resultou em quatro pessoas feridas, entre elas uma menina de 9 anos, Ana Luísa Carmo de Souza, atingida dentro do colégio em que estuda. O confrontou deixou o túnel Santa Bárbara, importante ligação entre as zonas sul e norte, interditado por uma hora.Hoje o secretário estadual de Segurança Pública, Roberto Aguiar, defendeu a atuação da PM no episódio e prometeu transferir seu gabinete para uma escola de Santa Teresa, onde fica o Morro da Coroa, caso a violência não diminua. Aguiar afirmou que os projéteis recolhidos no confronto estão sendo analisados por peritos. "Há chances muito grandes de não sermos nós (os autores dos disparos)." Ele disse também que o policiamento nas escolas da região foi reforçado. Para ele, o recrudescimento da violência foi causado pela prisão de 34 traficantes, o que teria provocado novas disputas de poder entre os criminosos.Segundo o coronel Venâncio Moura, comandante do Bope, as áreas consideradas críticas são os morros dos Prazeres, Fogueteiro, Fallet, Coroa, Mineira, Zinco, São Carlos, Querosene e Escondidinho (área central da cidade), Macacos, São João, Quieto, Sampaio, Matriz, Pau da Bandeira e Roquete Pinto (zona norte). O objetivo é desarticular as quadrilhas que controlam o tráfico de drogas nessas localidades. As incursões contarão com 40 policiais e poderão acontecer a qualquer hora do dia. "Eles nunca saberão onde e a que hora vamos aparecer. A inquietação será nossa grande arma. Vamos deixar os marginais em estado de alerta", disse Moura.Hoje o clima era de medo entre os moradores da rua Itapiru, no Rio Comprido, onde ocorreu o tiroteio de ontem. A aposentada Clarisse de Lima e Silva, de 66 anos, pretende se mudar do local. "Moro aqui há 26 anos e nunca vi um negócio desses. Eu durmo na casa da minha filha. Todo mundo está se mudando para outro lugar." Ela estava acompanha pela neta Raíssa, de 11 anos, que estava ao lado de Ana Luísa Carmo de Souza, de 9, quando esta foi baleada. As duas estudam no Educandário Nossa Senhora de Nazaré, que, assim como a Escola Municipal Estados Unidos, permaneceu fechada. "Foi muito tiro, todo mundo se abaixando, chorando, gritando. Vou pedir para o meu pai me tirar de lá e estudar em outro colégio", disse a menina, que só dormiu depois de tomar calmantes.Em Vila Isabel, houve novo confronto durante a madrugada entre traficantes do Morro dos Macacos e o policial Alexandre Pontes, do Bope, foi atingido de raspão no ombro esquerdo. Hoje à tarde um cão farejador da PM encontrou uma pistola e munição enterradas em um dos acessos à favela. Na Cidade de Deus, zona oeste, três homens não identificados morreram em conflito com a PM. Na Vila Cruzeiro, favela da Penha, zona norte, PMs apreenderam uma bomba caseira escondida em uma casa abandonada, além de sacos de maconha, cocaína, um revólver calibre 38 e munição para fuzil.

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