Bope invade Vila Cruzeiro com tanques da Marinha e traficantes fogem

Entrada da corporação na favela resultou em tiros, explosões e focos de incêndio dentro da favela; pelo menos quatro pessoas foram baleadas

estadão.com.br,

25 Novembro 2010 | 12h02

RIO - Dezenas de criminosos estão tentando escapar neste momento da Vila Cruzeiro. Fortemente armados, eles estão correndo para pegar carros que circulam pela favela. A movimentação foi flagrada pela TV Globo, que transmite as imagens ao vivo para o Rio. O coronel Lima Castro, porta-voz da PM, informou que os blindados da Marinha estão se locomovendo para a região onde estão esses criminosos.

 

Veja também:

linkAtaque a ônibus termina com motorista baleado na zona norte

linkOnda de violência no Rio chega à imprensa estrangeira

linkMais de 30 escolas e creches suspendem aulas

especialEduardo Paes: 'não podemos é esmorecer'

blog Patrícia Villalba: O medo está no rosto do carioca

mais imagens Veja fotos da onda de ataques no Rio

video  A rotina noturna com ataques no Rio

forum Presenciou algum ataque? Conte-nos como foi

 

Depois da entrada do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) da PM em blindados da Marinha, várias equipes de todas as delegacias especializadas do Rio se preparam para entrar na Vila Cruzeiro, na zona norte, um dos maiores refúgios de traficantes do Comando Vermelho, pela Avenida Nossa Senhora da Penha.

 

A entrada do Bope na favela resultou em tiros, explosões e focos de incêndio dentro da favela. O tiroteio é ininterrupto. Pelo menos quatro pessoas foram levadas até o início da tarde desta quinta-feira, 25, para o Hospital Getúlio Vargas, na Penha, baleadas. O mais grave foi o caso do motorista de ônibus Reginaldo Dias Peixoto, de 36 anos, que levou tiro na cabeça. Foi submetido a cirurgia e não corre risco de morrer, informou o hospital. Além dele, um mototaxista, um servente de pedreiro e um PM também foram baleados. O policial levou um tiro de raspão no ombro.

 

A Marinha do Brasil mobilizou seis tanques do modelo M113, municiados com uma metralhadora .30, além de outras viaturas blindadas e carros-anfíbio.

 

 

 

Marinha. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, autorizou na quarta-feira que o Comando da Marinha forneça apoio logístico ao governo do Rio de Janeiro. O pedido não envolve mobilização de tropas da Força, e sim meios de transporte e a guarnição necessária à operação e manutenção dos veículos.

 

Para coibir os ataques, o governo do Rio disse que Polícia Militar irá intensificar hoje as operações em locais estratégicos. A corporação vai fazer comboios, patrulhamento nas ruas da cidade, haverá mais blitz, e o efetivo retirado da área administrativa continuará atuando na zonas Sul e Oeste e na Grande Niterói. Também haverá aumento do policiamento atuando na Tijuca e no Meier.

 

Conforme já anunciado, a primeira medida da PM foi reduzir folgas e colocar nas ruas policiais em condições de serviço, que trabalham na área administrativa. Estão sendo empregadas 1.625 viaturas, além de 190 motos. A partir de hoje, mais 60 viaturas estarão circulando na Região Metropolitana.

 

'Confronto iminente'. O holandês Nanko Van Burren, diretor do espaço social do Instituto Brasileiro de Inovações em Saúde Social (IBISS), acaba de deixar a Vila Cruzeiro e disse que o confronto é iminente. Segundo ele, os traficantes permanecem armados no interior da favela e monitoram toda a movimentação da polícia por meio de câmeras, tanto nos acessos da Vila Cruzeiro, quanto no morro da Chatuba.

 

"Não apoio esse tipo de operação, pois o destino das balas perdidas são sempre os moradores inocentes. A situação lá dentro é tensa. Todos os meus funcionários, foram retirados da Vila Cruzeiro e muitos moradores se abrigaram em casa de parentes e amigos fora da comunidade", disse Van Burren, que atende cerca de 7 mil crianças por dia em sua ONG. Desde ontem, o espaços IBISS está fechado.

 

(Com Clarissa Thomé, Gabriela Moreira, Luciana Fadon Vicente, Pedro Dantas e Priscila Trindade)

 

Notícia atualizada às 15h49.

Mais conteúdo sobre:
Rio ataques Exército

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.