Bope ocupa morro na zona norte do Rio para instalar unidade pacificadora

Segundo a polícia, houve resistência por parte de traficantes e um cabo acabou ferido

Pedro Dantas, de O Estado de S. Paulo,

10 de agosto de 2010 | 09h32

 

RIO - Um cabo do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) ficou ferido nesta terça-feira, 10, na operação para a implantação da 12ª Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), no complexo de favela do Turano, na zona norte do Rio. O cabo Robson Albuquerque foi baleado na barriga e não corre risco de morte. Ele foi atingido por traficantes escondidos nas matas. Os criminosos tentavam fugir à tarde do morro ocupado por cerca de 260 policiais militares do Bope e outros quatro batalhões.

 

No início da operação, por volta das 5 horas, os agentes trocaram tiros com traficantes do Morro do Estácio, vizinho ao Turano, mas ninguém ficou ferido. Em fuga, traficantes do Turano armados renderam uma equipe de técnicos e levaram um carro da TV Brasil, na estrada do Sumaré, próximo ao Turano.

 

A equipe da emissora estava no local para fazer manutenção em uma das torres de transmissão. Na fuga, os bandidos deixaram cair uma escopeta calibre 12. O motorista e dois técnicos da emissora foram resgatados por policiais do Bope. O veículo foi encontrado na Rua Alice, em Laranjeiras (zona sul), nas proximidades do Morro dos Prazeres, em Santa Teresa, favela onde os traficantes se refugiaram, segundo a polícia.

 

O Turano ficou conhecido pelos casos de bala perdida envolvendo alunos da Universidade Estácio de Sá, cujos fundos ficam em frente ao morro. Em 2022, o filho do cantor Neguinho da Beija-Flor, o estudante de odontologia Luiz Antônio Marcondes Júnior, foi ferido nas costas por uma bala perdida durante um tiroteio entre policiais e ladrões de carros. No ano seguinte, a estudante de enfermagem Luciana Gonçalves de Novaes, que tinha 19 anos na época, foi ferida por uma bala perdida vinda do morro. Ela ficou tetraplégica.

 

Em 2007, a universitária Renata Ramires, de 31, foi ferida por estilhaços de uma bala perdida na coxa, no pátio da faculdade, quando acontecia um confronto entre policiais e traficantes na favela. Em 1996, a polícia estourou um paiol de armas no sótão da instituição de ensino.

 

"Aqui é uma área geograficamente mais difícil e exigirá mais tempo de ocupação", disse o comandante do Bope, coronel Paulo Henrique Moraes. No Turano, os policiais encontraram várias pichações "assinadas" pelo Comando Vermelho, a facção criminosa que dominava a favela, e o Primeiro Comando da Capital (PCC). Em uma delas, o desenho de um palhaço armado com uma metralhadora e uma bomba era acompanhado pela legenda "a alegria do palhaço é ver o circo pegar fogo - tiro, porrada e bomba."

 

Em nota, a PM informou que a ocupação beneficiará 18 mil pessoas. Além do Turano, as comunidades Chacrinha, Matinha, Morro do Bispo, Rodo e Sumaré também serão ocupadas. A Secretaria de Segurança informou ainda que os morros da Mangueira, São João e Macacos onde um helicóptero da PM foi derrubado em outubro de 2009, também serão ocupados.

 

Texto atualizado às 19h05.

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