'Bota-fora' é liderado por suplente de Suplicy no Senado

'Bota-fora' é liderado por suplente de Suplicy no Senado

Carlos Ramiro, o Carlão, classifica o governo paulista como autoritário e nega cunho eleitoral na manifestação

Roberto Almeida, O Estado de S.Paulo

31 de março de 2010 | 00h00

O "bota-fora" do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), que será realizado hoje pelo conselho do Sistema de Negociação Permanente (Sinp), entidade que congrega 42 sindicatos do funcionalismo público do Estado, tem como líder Carlos Ramiro de Castro, petista histórico e suplente do senador Eduardo Suplicy (PT-SP).

Carlos Ramiro, ou Carlão, como é conhecido entre os colegas de sindicato, faz parte dos quadros do PT desde 1985. Professor de biologia, foi presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) de 2002 a 2008, filiado à CUT, braço do PT no movimento sindical nacional.

Carlão classifica o governo paulista como "autoritário" e nega que o "bota-fora" tenha cunho eleitoral. A manifestação proposta pelo Sinp ? que congrega entidades ligadas à CUT e à Força Sindical ? será um "almoço de gala" no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista, a partir das 12h30 de hoje, seguido de uma passeata.

De acordo com a entidade, serão montadas mesas e cadeiras para servir coxinhas ? uma crítica ao vale-refeição do magistério, que hoje tem valor de R$ 4. Em seguida, os sindicalistas caminharão até o centro da cidade, em alas compostas por setores do funcionalismo público.

Ontem, advogados do PSDB classificaram a manifestação realizada na última sexta pela Apeoesp, com 16 pessoas feridas, como eleitoreira. Entraram com uma representação por uso de recursos sindicais para propaganda antecipada.

Carlão diz que não teme resposta semelhante do partido. "Por que a manifestação é de cunho eleitoral? É sindical. Ele (Serra) que nos receba, respeite data-base que nunca respeitou. Falta muita criatividade para eles. Estão dando as mesmas desculpas que a ditadura militar dava na época", afirmou.

As manifestações, afirma Carlão, não têm relação com sua filiação partidária. Segundo ele, sua gestão à frente da Apeoesp foi marcada por atritos com a então prefeita de São Paulo Marta Suplicy (PT). "Fizemos contra a prefeita pela educação municipal, e também contra os ex-governadores Quércia e Fleury."

O Sinp, no entanto, não tem amparo legal. A lei estadual 12.638/2007, que o constitui, não foi regulamentada por Serra, por causa de uma ação direta de inconstitucionalidade.

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