Bourbon compra 22 imóveis na Pompeia

Especula-se sobre construção de torre comercial; empresa nega

Diego Zanchetta e Felipe Grandin, O Estadao de S.Paulo

02 de abril de 2009 | 00h00

O Grupo Zaffari, proprietário do Shopping Bourbon, comprou uma área de cerca de 3 mil metros quadrados na frente do complexo comercial na Pompeia, na zona oeste de São Paulo. Os empresários gaúchos adquiriram 22 imóveis na quadra entre a Avenida Pompeia e a Rua Turiaçu, bem na frente do shopping. Entre moradores e comerciantes da região, é dada como certa a construção de um flat com torre comercial no local. Segundo eles, para conseguir a área planejada para o futuro empreendimento só faltaria ao grupo o imóvel onde fica a Pastelaria Brasileira, localizada bem no centro do terreno.O grupo gaúcho admitiu a compra da área, mas negou a intenção de levantar um empreendimento comercial no lugar. Por meio de sua Assessoria de Imprensa, o grupo informou que a área é usada como "apoio administrativo". Segundo funcionários ouvidos pela reportagem, a parte administrativa do Bourbon chegou a funcionar em parte dos imóveis comprados, mas foi transferida para dentro do centro de compras no fim do ano passado.Na Secretaria Municipal de Habitação (Sehab), existem três pedidos de alvará de construção na área comprada pelo grupo, um deles já indeferido. A Sehab informou que não comenta pedidos que estão sob análise. Os espaços adquiridos pelo Grupo Zaffari foram pintados de vinho e verde claro e incluem um galpão e vários sobrados, onde funcionavam uma agência bancária, uma imobiliária, um escritório de contabilidade e outros estabelecimentos.Os imóveis começaram a ser adquiridos em 2003, antes da instalação do shopping e de uma valorização maior da região com o boom imobiliário de 2006 e 2007. A subprefeita da Lapa, Soninha Francine, diz ouvir do projeto do flat com torre comercial "há muito tempo". Ela afirma não ter sido procurada pelo grupo para falar sobre o assunto. "Não sei como eles vão fazer para viabilizar o empreendimento. Temos de avaliar que o trânsito na região já é bem complicado. No caso de um novo empreendimento, teríamos de estudar as contrapartidas para a região, como novas intervenções contra os alagamentos naquele pedaço'', comentou a subprefeita.O Grupo Zaffari informou também que a Pastelaria Brasileira não atrapalha o uso dos imóveis e não existe a intenção de comprá-la. O dono da pastelaria contou que ainda não foi oficialmente procurado (mais informações nesta página).POLÊMICA A compra dos imóveis tem sido motivo de debate dentro da Associação Viva Pacaembu. Em reunião no último domingo, integrantes da entidade manifestaram posição contrária a um possível novo empreendimento do porte de um hotel na Rua Turiaçu. Pedro Ernesto Py, presidente da associação, defende que antes da liberação de qualquer novo projeto na região o governo municipal aplique os R$ 50 milhões obtidos com a Operação Urbana Água Branca em melhorias no bairro."Com esse futuro hotel, teríamos ampliada a área impermeabilizada de uma região crítica em alagamentos. Só nas chuvas desta temporada foram quatro vezes que a rua fechou por causa da retenção das águas. Já tem o estádio, os dois shoppings, vários comércios, o impacto no trânsito seria muito grande com um novo hotel", avalia Py. Entre comerciantes da Pompeia, o projeto do futuro hotel é dado como certo. Taxistas do ponto na frente do shopping, por exemplo, costumam comentar com os clientes sobre o plano. O fato de o shopping ter pintado os imóveis comprados da mesma cor também ajudou a disseminar os boatos. "Eles vão acabar comprando o bairro inteiro. Eu na verdade acho bom tirar essas casas velhas e construir algo que crie mais empregos", disse o taxista Mario Gensen, de 36 anos.

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