Bovespa inaugura espaço esportivo na maior favela de SP

Uma festa como há tempos os moradores da maior favela da cidade, a Paraisópolis, na zona Sul, não viam. Show de palhaços, mágicos, distribuição de 4 mil cachorros-quentes e a presença de vários renomados atletas marcaram a inauguração no local do Espaço Esportivo Bovespa, quadra poliesportiva Alcides Procópio.A festa começou cedo. Antes das 10h, centenas de moradores da Paraisópolis já estavam a postos para a cerimônia de inauguração da área de mil metros quadrados, construída pela Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) em comemoração aos seus 113 anos, cumpridos ontem.O nadador Ricardo Prado, a tenista Vanessa Menga, o ex-jogador de basquete Amaury Passos, entre outros esportistas foram prestigiar o evento. O secretário estadual de Esportes e Turismo, Lars Grael, também compareceu e ressaltou a importância de iniciativas como a da Bovespa. "A inauguração desse espaço mostra a vontade política e a responsabilidade social da Bovespa. O Brasil seria outro se mais empresas e entidades realizassem projetos como esse", elogiou. "É um presentão para a comunidade", concluiu Grael.O projeto da Bovespa pretende que a cada quatro meses cerca de 600 crianças da Paraisópolis possam ter aulas de tênis, futebol, basquete e handebol. Na primeira etapa do programa, que tem início no mês que vem, serão selecionadas 360 crianças, com idade entre 6 e 12 anos, como explicou Suzana Procópio de Carvalho, uma das coordenadoras do espaço. Suzana é filha de Alcides Procópio, um dos maiores tenistas brasileiros dos últimos tempos, o primeiro a disputar e vencer, em 1938, duas partidas do torneio de Wimbledon, no Reino Unido. "Estou emocionada com a homenagem. Ele já recebeu centenas delas, mas essa tem sabor especial", disse Suzana, destacando a popularização do esporte e a possibilidade de educar comunidades carentes por meio da prática esportiva.A administração do Espaço Esportivo Bovespa ficará sob a responsabilidade da Wilton Esportes Promoções, da qual Suzana é, ao lado do marido, proprietária. Ela contou que as crianças que tiverem talento poderão vir a ser encaminhadas para aperfeiçoamento das técnicas esportivas em academias e clubes conveniados. O presidente da Bovespa, Raymundo Magliano Filho, nem bem havia terminado de inaugurar o espaço quando admitiu que se o projeto der certo poderá ser ampliado. "Esse projeto pode ser apenas o início", afirmou Magliano. A torcida é grande, principalmente das crianças da Paraisópolis. Edilaine Nunes Costa, de 11 anos, disse estar feliz com a possibilidade de aprender basquete. "Espero ser selecionada logo e poder jogar basquete", contou. "Estou achando tudo muito bacana."Com apenas 10 anos, Johnni Correia Alves disse que "tem claro" que não quer ser atleta profissional. "Gosto de futebol, mas apenas como hobby", garantiu, acrescentando que espera mesmo é trabalhar um dia "em serviços de inteligência da polícia". "Gosto de coisas do tipo FBI", contou. Apesar de não pretender ser jogador de futebol, comemorou a possibilidade de desenvolver melhor a técnica. "Esporte é sempre bom. Além do mais, posso melhorar meu condicionamento físico", observou o garoto. PopularizaçãoA construção do espaço na favela Paraisópolis é mais uma ação da Bovespa pela inclusão social por meio de atividades educativas, contou o presidente da Bovespa. Magliano lembrou que, com base no mesmo princípio, a Bolsa de Valores de São Paulo lançou o programa de popularização do mercado acionário, a Bolsa de Valores Sociais (BVS). Ela vai auxiliar as Organizações Não-Governamentais (ONGs) a captarem recursos para projetos educacionais.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.