BRA acusa aeroporto de Congonhas de operar no limite da segurança

O presidente da BRA, Humberto Folegatti, disse nesta quarta-feira que o aeroporto de Congonhas, zona sul de São Paulo, opera "no limite da segurança", especialmente quando ocorrem chuvas fortes. A afirmação foi dada pouco depois do acidente com uma aeronave da empresa, que derrapou ao aterrissar na pista de Congonhas e provocar pânico nos 115 passageiros do vôo 1071, que saiu de Recife, fez escala em Salvador e Rio de Janeiro. Segundo ele, a pista direita não tem um sistema de drenagem de água adequado. O executivo acredita que o aeroporto deveria passar por uma reforma. Folegatti afirmou que a manutenção dos aviões "está em dia e que não há problemas nos treinamentos do pilotos". O empresário ficou sabendo do acidente por telefone no momento em que participava de um fórum e não tinha muitos detalhes do caso. "Pelo que sei, não houve danos ao avião e nem vítimas", afirmou.Drenagem e ziguezagueO Departamento de Aviação Civil (DAC), no Rio, alegou não ter informações sobre problemas de drenagem na pista do aeroporto de Congonhas, nem sobre a necessidade de obras. A hipótese, no entanto, será investigada, caso a apuração do DAC sobre a derrapagem do avião da BRA indique a aquaplanagem por falha na pista como possível causa do acidente, informou o órgão.Passava das 16h30, logo após uma forte chuva, quando o avião foi aterrissar, fez um ziguezague na pista e chegou até a ponta, entrando em parte do gramado. A ponta da aeronave conseguia ser avistada da avenida Ruben Berta, que passa ao lado do aeroporto.Caos"A situação foi caótica. A aeronave amassou os cones de segurança, a tripulação não orientou os passageiros e disse para todos saírem rápido porque havia risco de explosão", disse a coordenadora de marketink Erika Codeço, de 21 anos, que estava no avião. Segundo outros passageiros, havia uma espécie de espuma na pista e houve um atraso de 50 minutos na escala em Salvador por causa de problemas técnicos. "O avião quicou no chão, todos gritaram muito, não houve nenhum tipo de assistência aos passageiros", disse a empresária Laura Mange, de 40 anos.Segundo a Infraero, a pista principal ficou fechada para pousos e decolagem até as 18h09. Somente decolagens estavam sendo permitidas pela pista auxiliar.De acordo com a BRA, o procedimento adotado pelo comandante é comum quando há excesso de água na pista, não houve risco aos passageiros e todos os procedimentos de segurança foram adotados. A Infraero confirma a versão. A empresa afirmou que haverá investigação para saber se houve outros fatores que influenciaram o acidente.Para o especialista em segurança de vôo, Ronaldo Jenkins, de 61 anos, falar sobre causas ainda é muito precipitado. "A pista molhada dificulta a aterrissagem, é uma obstrução, mas é preciso averiguar se houve uma seqüência de fatores que influenciaram, como problemas no freio." A aeronave foi retirada da pista intacta. Aparentemente não havia nada quebrado.

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