Braço direito de chefe do tráfico no Morro do Tuiuti é preso

Na favela do Barbante, sete moradores foram mortos por milícias entre a noite de 3ª e a madrugada de 4ª

Solange Spigliatti, do estadao.com.br,

21 Agosto 2008 | 10h15

A Polícia prendeu na madrugada desta quinta-feira, 21, o traficante Éder Cunha Felipe, o Lipe, considerado o braço direito do chefe do tráfico no Morro do Tuiuti, no Rio, Marcelo Boto. O alvo da operação era Boto, que conseguiu fugir, segundo informações do inspetor Marco Antônio Carvalho, da 17ª DP, de São Cristóvão.   Favela do Barbante   Entre a noite de terça-feira e a madrugada de quarta, sete pessoas foram mortas na favela do Barbante, em Campo Grande, na zona oeste do Rio. Segundo o titular da 35ª Delegacia de Polícia, delegado Marcus Neves, todos são moradores inocentes, sem ligação com criminosos e que teriam sido assassinados por milicianos da Liga da Justiça, grupo que seria comandado, segundo a polícia, pelo deputado estadual Natalino Guimarães (sem partido) e seu irmão, o vereador Jerônimo Guimarães (PMDB), ambos presos em Bangu 8.   O filho do vereador, o ex-PM foragido Luciando Guimarães, liderou o ataque, segundo o delegado. "Desde a prisão de Natalino, no mês passado, as favelas de Campo Grande que são dominadas pelo grupo de milicianos está enfraquecendo. A Carobinha, por exemplo, já foi tomada por traficantes da facção ADA (Amigo dos Amigos). Na semana passada, traficantes do Comando Vermelho tentaram tomar a favela do Barbante, mas não conseguiram. Por isso, os milicianos atacaram, querendo culpar um ataque de traficantes", disse o delegado.   Neves informou que, dos 17 homens que teriam entrado encapuzados na favela para promover os "assassinatos aleatórios", dez já estão identificados e são integrantes do grupo armado da Liga da Justiça, que seria comandado por Luciano. Parte deles já foi denunciado pelo Ministério Público por formação de quadrilha e diversos homicídios. A identificação do bando foi possível porque moradores do Barbante anotaram placas dos carros com os quais os criminosos entraram na favela.   Vítimas Até a noite de quarta, a polícia havia divulgado apenas o nome do comerciante Ariovaldo da Silva Nunes, de 37 anos, entre os mortos. "O objetivo desses milicianos, que são muito mais organizados que os traficantes, é também enganar a comunidade que atacaram. Eles querem mostrar que a população vai sofrer muito mais se os traficantes entrarem ali", analisou. O Regimento de Polícia Montada (RPMont) da Polícia Militar ocupou a favela para dar proteção aos moradores, mas ninguém havia sido preso até o fim da noite.   O delegado comemorou a aprovação pela Câmara dos Deputados do projeto de Lei que vai tipificar e punir o crime de milícia, com pena prevista para quatro a oito anos de prisão, e ainda de uma a dois anos para quem oferecer ou prometer serviço de segurança sem autorização legal.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.