Brás exige fôlego de consumidor

Região é o maior e mais popular centro de compras de São Paulo, onde é possível achar de alimentos a couro

Valéria França, O Estadao de S.Paulo

15 de dezembro de 2007 | 00h00

Pensou em fazer compras no Brás? Então, respire fundo. São 55 ruas de comércio e seis mil estabelecimentos, que atraem meio milhão de pessoas e faturam R$ 25 milhões por dia. O Brás é o maior e mais popular centro de compras de São Paulo, mesmo quando comparado à Rua 25 de Março e ao Bom Retiro. E tem de tudo - produtos alimentícios, vinhos, madeira, couro e roupa, entre outras mercadorias. Mas o grande chamariz são as confecções, que atraem sacoleiras, lojistas e até compradores eventuais, comuns nesta época, quando a lista de lembrancinhas de Natal pode significar um rombo no orçamento. Ali é possível encontrar pechinchas de boa qualidade para toda a família, como vestidos de verão para meninas por R$ 10 e calça jeans por R$ 45. A dona de casa Regina de Souza, de 40 anos, pegou o ônibus em Jacareí com destino a São Paulo para encontrar a irmã Solange, de 42 anos. Era uma manhã de quinta-feira quando as duas foram às compras no Brás. Depois de garimpar de loja em loja, por volta das 14 horas, Regina parou para descansar numa lanchonete da Rua Maria Marcolina, uma das principais ruas de lojas de roupas da região. Estava com uma aparência de dar dó: pés inchados de tanto andar, cabelos despenteados e cara de exaustão. Mas nada disso abalava sua satisfação com as compras. "Bati muita perna, mas comprei tudo o que precisava. Deu até para levar umas roupinhas para mim", conta Regina. "Se tivesse entrado num shopping, meu dinheiro não daria nem para a metade da lista." Gastou R$ 400 para comprar 20 presentes. Ao lado de Regina, no chão, uma bolsa de plástico azul de quase um metro de altura, adquirida num camelô da região, com roupas para sogro, sogra, sobrinho, tios e filhos. "Tive que comprar uma bolsa extra. Não dava para carregar tanta sacolinha." Roupas de cama, toalhas de banho e mesa, enxoval de bebê e peças de vestuário são alguns artigos que estão à venda nas lojas localizadas na região que vai do Largo da Concórdia à Rua Oriente, o lado varejista. Ali ficam as opções mais populares do bairro. Os vendedores costumam ficar na porta, disputando o cliente aos berros. Nessa hora, a cliente vira "tchutchuca" e o cliente, "tchutchuco". "Ei, tchutchuca, não vai entrar para ver as promoções? Você não sabe o que está perdendo. Não seja orgulhosa. Entre um minutinho." No meio-fio, há ainda os camelôs, que muitas vezes vendem a mesma mercadoria das lojas. E a tchutchuca e o tchutchuco, espremidos pelo corredor formado por lojas e barracas, não sabem para onde olhar primeiro. É fácil ter vontade de sair correndo dali.

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