Brasiguaios ligados ao MST param rodovia

Expulsos do Paraguai, sem-terra acampados em MS afirmam que estão passando fome

João Naves de Oliveira CAMPO GRANDE, José Maria Tomazela SOROCABA, O Estado de S.Paulo

12 Novembro 2010 | 00h00

Mais de 1.500 sem-terra ligados ao MST bloquearam ontem a BR-163, em Itaquiraí, em Mato Grosso do Sul, onde vivem em um acampamento nas margens da rodovia. A manifestação foi em protesto contra a situação enfrentada por 600 famílias de trabalhadores rurais brasileiros expulsas do Paraguai durante conflitos de terras no país vizinho - conhecidos como brasiguaios.

Sem meios para sobrevivência, os sem-terra afirmam que estão passando fome, por causa da falta de alimentos, principalmente para as quase 500 crianças do acampamento. "São pouco mais de 3 mil desempregados a espera de terra do Incra", disse um dos líderes. Segundo a maioria, a situação poderá ficar pior, caso aceitem mudar para outro local. Uma ordem judicial determina que a permanência do acampamento denominado Antônio Irmão seja no máximo até o próximo dia 18, por causa das obras de duplicação da BR-163, que estão bem próximas do local.

O ouvidor do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Sidney Ferreira de Almeida, esteve negociando com os manifestantes, juntamente com o chefe do Incra na região, José Osmar Bentinho, mas não chegaram a um acordo. Parte dos sem-terra não quer arredar pé do acampamento, outra parcela concorda em mudar provisoriamente para uma gleba de 12 hectares na Fazenda Santo Antônio, também em Itaquiraí.

Os dois dirigentes do Incra prometeram iniciar hoje a distribuição de cestas básicas para todo o acampamento. Depois da promessa, a rodovia foi liberada e novas rodadas de negociações deverão ocorrer hoje. Segundo os líderes do movimento, o bloqueio poderá continuar, caso as reivindicações não sejam atendidas.

Invasão. Na primeira ação no Estado de São Paulo após a trégua das eleições, 30 integrantes do MST invadiram uma gleba de 206 hectares da antiga fazenda Faxinal, em Bauru, no centro-oeste do Estado, segundo a Polícia Militar.

A área, desmembrada de uma porção maior, é considerada média propriedade produtiva, conforme certidão do Incra. A advogada Lívia Fernandes Ferreira, que representa o proprietário, entrou com pedido de reintegração de posse no Fórum de Bauru. De acordo com ela, a fazenda tem criação de gado e áreas de cultura.

Os sem-terra são provenientes do Assentamento Aimorés, localizado no município de Pederneiras e administrado pelo Incra. A coordenação estadual do MST informou que o grupo em questão não pertence ao movimento. A Polícia Militar, no entanto, constatou que os sem-terra usavam bonés e bandeiras do MST.

A propriedade já tinha sido invadida este ano durante o chamado "abril vermelho" - a jornada anual de lutas do movimento. Naquela ocasião, a Justiça determinou o despejo dos invasores.

Recrutamento. De acordo com o presidente do Sindicato Rural de Bauru, Maurício Lima Verde, o MST está recrutando militantes com a promessa de lotes de terra em bairros da periferia da cidade, como as vilas São Paulo e Esperança. O representante dos ruralistas disse temer uma onda de invasões na região.

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