Brasil: 4º país onde mais se rouba arte

Nos últimos dez anos, governo catalogou o roubo ou furto de 933 bens culturais e apenas 35 foram recuperados

Rodrigo Brancatelli, O Estadao de S.Paulo

21 de dezembro de 2007 | 00h00

Depois de assinar há cerca de dez anos um convênio com a Organização Internacional de Polícia Criminal, conhecida como Interpol, o governo federal catalogou o roubo ou furto de 933 bens culturais - incluindo quadros, esculturas, documentos e obras sacras -, sem contar o Portinari e o Picasso levados ontem do Masp. Mas, na prática, essa parceria teve pouco resultado. Até agora, apenas 35 obras foram recuperadas.O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), vinculado ao Ministério da Cultura, deveria informar os detalhes das peças para que as polícias do mundo inteiro pudessem procurá-las. Até ontem, só 80 das obras listadas pelo Iphan tiveram dados traduzidos e fotografias enviados à Interpol. Além disso, não existem fotos de quase um terço das 918 peças catalogadas."A falha na verdade está nas instituições, que não têm bancos de dados com informações sobre as próprias peças", diz o diretor do Departamento de Museus do Iphan, José do Nascimento Júnior. "Quase não há registro fotográfico de muitas imagens sacras em cidadezinhas de Minas e da Bahia. Aos poucos, estamos atualizando os cadastros. O que fizemos nesses últimos anos foi investir quase R$ 1 milhão em segurança nos 40 museus federais. Todos deveriam investir."Segundo a Interpol, o roubo de bens artísticos e históricos já é o terceiro delito mais rentável no mundo - depois do tráfico de armas e de drogas - e movimentou em 2006 cerca de US$ 4 bilhões. O Brasil é o principal alvo dos ladrões na América Latina. No mundo, fica atrás só de Estados Unidos, França e Iraque. O roubo cinematográfico ao Museu da Chácara do Céu, em 2006 no Rio, por exemplo, aparece entre os dez maiores do mundo no site do FBI - foram levados quadros de Dalí, Matisse, Monet e Picasso."Essas peças do Masp foram roubadas por encomenda, têm endereço certo", diz a museóloga Gilda Baptista. "O Portinari vai ser vendido na América do Sul mesmo, porque lá fora não tem mercado. Já o Picasso é inestimável, vai para os mercados árabes, o Leste Europeu." Para Gilda, o que mais chama a atenção é a facilidade. "Não dá para acreditar que o Masp seja tão frágil. É o maior acervo da América do Sul! A segurança de um Picasso não pode ter falhas."

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