Brasil ameaça restringir entrada de espanhóis no País

Itamaraty diz que pode adotar o 'princípio da reciprocidade' por brasileiros barrados no aeroporto de Madri

Da Redação,

06 de março de 2008 | 13h37

O Itamaraty divulgou nota oficial nesta quinta-feira, 6, em que afirma que o Ministério das Relações Exteriores está examinando a adoção de medidas apropriadas em resposta ao episódio dos 30 brasileiros barrados no aeroporto de Madri, e que considera adotar, inclusive, "o princípio da reciprocidade".    Segundo a nota, o Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, tomou conhecimento do ocorrido com "profundo desagrado". O ministro já havia manifestado ao chanceler espanhol a insatisfação do governo do Brasil com a repetição de tais acontecimentos e pedido que fosse dado "tratamento digno e adequado" aos cidadãos brasileiros, de acordo com a nota. Só em 2007, a Espanha impediu a entrada de 3 mil brasileiros no país.   O Secretário-Geral das Relações Exteriores, Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, se encontrou com o Embaixador da Espanha em Brasília nesta quinta-feira e afirmou que as medidas adotadas pelas autoridades imigratórias da Espanha "são incompatíveis com o bom nível do relacionamento entre os dois países". var keywords = "";   Segundo a Globonews, o embaixador espanhol afirmou que não há nenhum tipo de preconceito contra os brasileiros e que o grupo foi barrado porque não tinha os documentos adequados para entrar no país europeu. O representante espanhol ainda disse que os brasileiros não estão presos na Espanha e que aguardam vôo para retornar ao Brasil.   Sem água e comida   Agentes de imigração da Espanha barraram na quarta-feira, 6, a entrada de 30 brasileiros no país. Passageiros do vôo 6024 da Iberia, que partiu às 20 horas de terça-feira do Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio, foram isolados em uma sala do Aeroporto de Madri às 9 horas, após o desembarque. Segundo relato de dois pós-graduandos do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj) a parentes no Brasil, eles não receberam informações sobre a recusa de entrada e estavam sem comer e beber água havia dez horas.   Para os policiais, os estudantes não tinham provas da viagem para Lisboa, onde participariam de um congresso científico. Argumentaram também que eles estavam com 250 euros cada um, quando, pelas regras, os passageiros têm de ter, no mínimo, 70 euros para cada dia de estada.Do Brasil, o diretor do Iuperj, José Maurício Domingues, contactou o Itamaraty e contestou a versão da polícia espanhola. "Conversamos com as autoridades brasileiras que se prontificaram a intervir. Nossos alunos apresentarão trabalhos e estão regularizados. Os agentes não alegam nada que justifique a retenção", disse. Os estudantes tinham volta prevista para o dia 17.O pai de Pedro, Luiz Carlos Lima, que falou com o filho às 11 horas de quarta, disse que os estudantes cumpriram todas as obrigações. "Isso tudo é absurdo. Eles têm carta de referência, passaporte, confirmação de reserva em hotel, dinheiro e inscrição no congresso", protestou. "Pedro e Patrícia estão cansados, com fome e são ignorados pelos agentes de imigração", desabafou.A notícia chegou à família de Patrícia em Juiz de Fora, Minas, por volta de 11 horas, contou a mãe Jucineide Rangel. " Na primeira ligação, minha filha chorava muito. À tarde, estava mais calma", disse. Patricia, em relato ao pai, Rubens Rangel, contou que foi ofendida por agentes espanhóis. "Ela é muito educada, mas luta por seus direitos. São estudantes que não têm ligação com tráfico nem com prostituição."   (com Lourival Sant´Anna e William Glauber, de O Estado de S. Paulo)

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