Brasil arma países em conflito

ONG acusa País de camuflar vendas e ser menos transparente que o Irã

Jamil Chade, O Estadao de S.Paulo

07 Agosto 2029 | 00h00

Armas brasileiras alimentam tanto a violência na Venezuela como os grupos armados na Colômbia, Argélia, Quênia, Filipinas e até a Indonésia, enquanto o governo federal demonstrava apoio à independência do Timor Leste. A entidade Small Arms Survey alerta que o Brasil faz parte dos países que têm promovido uma ''''exportação irresponsável'''' de armas para locais que vivem caos político e conflitos ou que violam direitos humanos.O País, o quarto maior exportador de armas leves do mundo, é acusado de camuflar parte de suas vendas e de ser menos transparente do que o Irã. Os maiores exportadores de armas leves no mundo são Estados Unidos, Itália e Alemanha.Em 2004, as vendas brasileiras foram de US$ 112 milhões. O comércio internacional de armas leves chegou a US$ 4 bilhões - há mais US$ 1 bilhão de vendas no mercado negro.Segundo o levantamento, o Brasil é o segundo maior fornecedor de armas leves para a Venezuela, com exportações no valor de US$ 1,8 milhão apenas em 2002. O Brasil só é superado na Venezuela pela Coréia do Sul. Outros importantes fornecedores de armas são a Itália, Estados Unidos e Espanha.Para Keith Krause, diretor do instituto, Caracas está entre as cidades mais violentas da região e parte dos enfrentamentos armados tem cunho político. Para a entidade, além dos problemas internos da Venezuela, Caracas estaria disposta a armar outros países da região, como a Bolívia.No que se refere à Colômbia, o Brasil exportou US$ 28 milhões em armas leves entre 2002 e 2004, segundo informações enviadas pelo governo ao banco de dados da ONU. No levantamento publicado ontem, algumas armas brasileiras, como a pistola Imbel, tiveram exportações constantes nos últimos anos para a Colômbia.Mas, em declarações ao Estado, o vice-ministro das Relações Exteriores da Colômbia, Carlos Reyes, alerta que as vendas regulares não são as únicas a atravessar a fronteira. Parte das armas das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) vem da fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai.De fato, o estudo publicado ontem aponta que exportadores brasileiros podem estar usando o Paraguai para reduzir o volume de exportações para regiões problemáticas. As armas iriam primeiro ao Paraguai como exportações no Mercosul para depois serem embarcadas para outras regiões. ''''Brasil e Colômbia não estão cooperando de forma suficiente ainda. Os governos são ineficientes'''', afirmou Reyes.Cerca de 60 países, entre eles os europeus, Japão e Estados Unidos, seriam responsáveis por exportações a nações problemáticas. Mas, segundo o levantamento, o Brasil está entre os principais. O País vendeu US$ 8,6 milhões à Argélia em armas leves entre 2002 e 2004. Ao mesmo tempo em que pedia paz no Timor Leste e enviava médicos e professores, o Brasil vendia US$ 11,5 milhões à Indonésia de 2002 a 2004 e se transformou num dos principais fornecedores de Jacarta. A lista de exportações irresponsáveis inclui US$ 2,3 milhões ao Paquistão, US$ 1,3 milhão às Filipinas e US$ 400 mil para Israel.No ranking de transparência na venda de armas, o Brasil está em 22º lugar entre os 37 maiores exportadores. O Brasil ficou abaixo de Irã e Bósnia e próximo da China. Os países mais transparentes são a Alemanha, EUA e França. Os menos transparentes são África do Sul, Bulgária e Coréia do Norte.

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