Brasil colabora em investigação sobre sensor de velocidade em A330

Erros nesse equipamento se multiplicaram nos modelos da Airbus e estão na origem da tragédia no Atlântico

Bruno Tavares, O Estadao de S.Paulo

27 de junho de 2009 | 00h00

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão ligado ao comando da Aeronáutica, vai auxiliar o Conselho Nacional de Segurança em Transporte (NTSB, na sigla em inglês) na apuração envolvendo os tubos de pitot (sensores de velocidade) instalados nos aviões da Airbus. Os militares brasileiros foram contatados anteontem e concordaram em repassar informações e cooperar com os trabalhos. Nos próximos dias, o Cenipa já deve designar um oficial para atuar como "representante acreditado", conforme prevê o Anexo 13 da Organização de Aviação Civil Internacional (Icao, na sigla em inglês).O incidente com o Airbus A330 da TAM em 21 de maio, agora investigado pelos peritos do NTSB, é muito similar ao que ocorreu com o jato da Air France na noite de 31 de maio. Nos dois casos, houve perda repentina dos dados de altitude e velocidade, seguido de falhas no Air Data Inertial Reference System (Adiru). A diferença, aparentemente, é que os tripulantes brasileiros conseguiram contornar a situação utilizando os sistemas reservas.As sondas pitot - há três instaladas nos modelos A330 - são importantes por serem as provedoras de informações que norteiam o funcionamento dos computadores centrais do jato. Nos últimos 12 meses, o número de falhas desse equipamento se multiplicou nos modelos da Airbus, o que levou a fabricante francesa a recomendar a substituição das peças nos jatos A320. Desde o acidente com o voo 447, a Air France - além de companhias aéreas de todo o mundo, como a TAM - acelerou a substituição dos tubos de pitot em suas frotas.Os problemas mais recorrentes, segundo notas técnicas expedidas pela própria Airbus, eram de congelamento e obstrução do canal que capta os dados em voo e transmite aos computadores. A leitura incorreta dessas informações acaba "enlouquecendo" os sofisticados sistemas informatizados do jato, o que desencadeia uma série de reações, como o desligamento do piloto e do acelerador automáticos. Boa parte dessas respostas foi verificada na tragédia do voo 447, conforme a sequencia de 24 mensagens automáticas transmitidas pelo avião ao departamento de manutenção da companhia aérea naquela noite.O que os investigadores franceses tentam descobrir agora é por que uma eventual pane nas sondas teve um efeito tão devastador, provocando a queda no Atlântico. Tanto assim que, nos demais incidentes conhecidos, nenhuma das aeronaves caiu. "É perfeitamente possível enfrentar uma situação dessas (de pane nas sondas pitot e, por consequência, nos computadores)", disse uma fonte familiarizada com os modelos da Airbus. "Todas as tripulações são treinadas para lidar com isso."

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