Brasil começa a testar o coeficiente de prazer

Enquete faz um cruzamento com o tempo disponível que as pessoas desfrutam das sensações prazerosas

31 Julho 2009 | 11h57

Colombianos, homens, aposentados e profissionais da Comunicação formam o grupo que mais desfruta do prazer no mundo. Do outro lado estão franceses, estudantes e mulheres - a turma mais privada das situações prazerosas. São os resultados de um estudo global que mapeou 100 mil pessoas de 180 países e criou uma escala numérica nos moldes da que afere a inteligência (o QI). É chamado de QP, o coeficiente de prazer, que pode ser feito pela internet.

 

O QP avalia desencadeadores de prazer como paladar, audição, visão, tato e adrenalina, além de atividades como dançar, ficar com a família, tomar um banho de banheira. A enquete é simples e faz um cruzamento com o tempo disponível que as pessoas desfrutam das sensações tidas como prazerosas. A ideia foi de uma marca de sorvete, a Magnum, como estratégia de divulgação do produto. Quem elaborou o teste foi o psicólogo Alex Linley.

 

Por enquanto, os colombianos lideram o ranking com QP 136, mas o teste só começa a ser aplicado no Brasil hoje - pela internet. A explicação para a liderança da Colômbia projeta uma expectativa de quociente alto para os brasileiros. Entre os organizadores do estudo, o fato da dança, música e sangue latino serem características do país pode explicar o alto índice de prazer.

 

A França, por sua vez, está na Europa, continente que mais coleciona países no fim da lista (Espanha, Itália e Inglaterra são exemplos). "Existe a curiosidade da comparação de resultados, mas o nosso grande interesse é revelar o nível de prazer que as pessoas estão tendo", afirma Cecília Dias, gerente de Marketing da Magnum. "Além disso, por meio do teste, é possível ter um direcionamento das atividades prazerosas que têm sido negligenciadas."

 

A rotina assoberbada pode ser uma das razões também para justificar a diferença de QP entre gêneros. Os homens têm QP médio 120, ante 116 das mulheres. E uma das culpadas para a desvantagem feminina é "a dupla, tripla, quádrupla jornada de trabalho", diz Dorli Kamkaghi, do grupo de gêneros do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas. "A mulher moderna confunde prazer com culpa. É um preço muito alto."

 

Mais tempo para usufruir do que realmente dá prazer é a explicação para os aposentados estarem no segundo do lugar entre as ocupações que mais dão prazer, perdendo para profissionais da Comunicação e Marketing. Os estudantes, grupo jovem que poderia estar no topo do ranking, estão lá na lanterninha, mostrando que na disputa entre juventude e pressão, a última ganha em favor do desprazer.

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