Eduardo Di Baia/AP
Eduardo Di Baia/AP

Brasil e Argentina miram ação comercial conjunta

Em encontro para acertar visita de Dilma ao país no dia 31, Patriota e chanceler argentino anunciaram criação de comissão para estudar e propor parceria

Marina Guimarães e Ariel Palacios, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2011 | 00h00

Os governos do Brasil e da Argentina decidiram criar uma comissão especial para estudar e propor medidas de promoção comercial conjunta. A iniciativa foi anunciada ontem pelo ministro brasileiro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, e seu colega argentino, Héctor Timerman.

Ambos detalharam com a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, os pontos da agenda a ser tratada durante a visita oficial da presidente Dilma Rousseff a Buenos Aires, marcada para o dia 31. Informações extraoficiais indicam que os argentinos querem receber Dilma com pompa.

Em entrevista coletiva na Casa Rosada após reunião com Cristina Kirchner, Patriota disse que haverá nova ênfase na promoção de exportações dos dois vizinhos para outros países. "Pude reunir-me com quase todo o gabinete argentino e concordamos que a Argentina e o Brasil vivem um momento histórico excelente e com uma grande oportunidade de aprofundar a integração", disse.

Timerman anunciou que, para intensificar a integração, os dois chanceleres e suas equipes realizarão a cada 90 dias uma reunião bilateral. Os dois também acertaram a criação de uma comissão que se reunirá periodicamente para definir estratégias para vendas conjuntas de produtos com valor agregado do Brasil e da Argentina para outros países.

A Argentina está interessada em definir um acordo de compras governamentais com o Brasil, já que diversas empresas argentinas estão de olho no amplo mercado que o maior sócio do Mercosul oferece. Timerman indicou ter conversado sobre a possibilidade de que empresas argentinas participem das obras que serão feitas no Brasil para a Copa do Mundo e a Olimpíada.

Patriota também conversou com Timerman sobre o aumento da frequência de voos entre a Argentina e o Brasil. "Queremos, além de comércio, mais turismo. Assim, mais brasileiros poderão ver uma série de coisas bonitas que não temos no Brasil, como a Cordilheira dos Andes."

Os dois chanceleres se conhecem desde os tempos em que foram embaixadores de seus países em Washington (Patriota serviu entre 2007 e 2009 e Timerman, de 2007 a 2010).

Encontros. Patriota também manteve reuniões com os ministros da Economia, Amado Boudou (que será candidato à Prefeitura de Buenos Aires neste ano) e de Planejamento Federal e Obras, Julio De Vido (considerado o braço direito de Cristina na área econômica), além da ministra da Ação Social, Alicia Kirchner, cunhada da presidente e encarregada dos programas sociais do governo argentino.

Patriota também foi recebido por Timerman para um almoço de honra do qual participou mais da metade do gabinete presidencial. À noite, foi recebido por Cristina Kirchner na Casa Rosada, sede do governo argentino.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.