Brasil é destaque na imprensa internacional

Um dos principais jornais europeus, o espanhol El País diz que o tema da reforma agrária esteve ausente na campanha eleitoral do país "com os maiores latifúndios do mundo" e que terá pouco peso na eleição presidencial de domingo. O diário afirma que "o tema da distribuição de terras não foi mencionado por nenhum dos principais candidatos".A reportagem, com o título "Camponeses sem-terra dão as costas a Lula", descreve como famílias ligadas ao Movimento dos Sem-Terra (MST) acampadas em uma periferia de São Paulo estão desanimadas com as votações. "Não me importa quem seja o próximo presidente", diz uma acampada, segundo o jornal.O El País diz que o peso político dos sem-terra é pequeno e que, por isso, "o tema (da reforma agrária) não está no debate político".DesafiosOutros jornais deram destaque aos principais desafios que serão enfrentados pelo próximo governo. O argentino Clarín chama atenção para o problema da desigualdade, partindo da "paisagem assombrosa dos heliportos" dominando o topo dos prédios em São Paulo, que o visitante vê da janela do avião que sobrevoa a cidade."Não creia que é puro esnobismo da aristocracia de um país subdesenvolvido", diz o enviado do diário argentino. "Aqui há um nível espetacular de fortunas pessoais de tal tamanho que os olhos dos argentinos não estamos acostumados a ver, que pressiona por uma qualidade de vida com todos os tons do que há de mais exclusivo no primeiro mundo, e um pouco mais."Para o Clarín, o "Brasil opulento" dos bairros ricos de São Paulo "compete com o outro, das favelas e da fome".ViolênciaParte deste Brasil está não muito longe, nos presídios espalhados pela mesma capital paulista, recorda o francês Libération. O diário escolheu o tema da violência e da superlotação das prisões para retratar os desafios do Brasil.Especialistas ouvidos na reportagem dizem que "as condições de detenção explicam os motins freqüentes e a violência que cresce entre os prisioneiros". A corrupção policial e a lentidão judiciária agravam o problema.Como resultado, organizações criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) criam ramificações nos presídios brasileiros, em especial em São Paulo.PobrezaOutros jornais francófonos e o italiano Corriere della Sera destacam a fidelidade da população pobre ao presidente Lula, por conta de programas sociais de redução da pobreza, como o Bolsa Família."Bolsa Família de Lula devolve esperança às favelas", titula o francês L?Expansion. "Votarei em Lula porque ele enche minha barriga", destaca o suíço Le Temps, reproduzindo a frase de uma moradora da área rural de Terezinha, no interior de Pernambuco.Da capital do estado, Recife, a reportagem do Corriere destaca a conexão do presidente Lula com a população mais pobre, simbolizada pela frase "ele é um de nós" que o repórter ouviu durante sua apuração.A favela de Brasília Teimosa - cujos moradores foram transferidos para um conjunto residencial popular - é dada como exemplo das melhorias do governo Lula para a população carente das cidades.EconomiaUma reportagem do britânico Financial Times, alerta para o crescimento tímido da economia brasileira.O "efeito bem-estar" ("feelgood factor") que amenizou os efeitos eleitorais dos escândalos de corrupção pode desaparecer se a economia continuar se expandindo na casa de 3% ao ano, afirma a reportagem."O maior problema, dizem os críticos, é a impossibilidade de Lula de seguir adiante em reformar o setor público, cortando o gasto público com pessoal ativo e com aposentados", diz o FT. "Condições mundiais favoráveis contribuíram (até o momento) para a falta de urgência em solucionar tais questões."Às vésperas das eleições presidenciais de domingo, a imprensa internacional destaca vários dilemas que o próximo presidente brasileiro terá de enfrentar.´Volta ao Mundo´O espanhol La Vanguardia utiliza um personagem de Júlio Verne, o inventor Phileas Fogg, de Volta ao Mundo em Oitenta Dias, para brincar com as mais de cem viagens oficiais realizadas pelo presidente Lula durante seu governo."Há quatro anos, ninguém esperava a trepidante ´volta ao mundo de Lula Fogg´", graceja o repórter Bernardo Gutiérrez. Para o jornalista, "as viagens de Lula colocaram o Brasil na primeira linha da diplomacia mundial".Ele enumera: "Em menos de quatro anos, o país se tornou líder da integração política latino-americana. Peça-chave para a moderação política da esquerda da região. Cabeça indiscutível do G20 que luta contra os subsídios agrários do primeiro mundo. Impulsor do G3, que representa as potências em desenvolvimento."

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