Brasil é Estado laico, diz Lula sobre fala do papa

Em tom crítico, presidente minimiza influência das declarações de Bento XVI nas eleições e afirma que a Igreja Católica fala a mesma coisa há 2 mil anos

Leonencio Nossa, O Estado de S.Paulo

30 Outubro 2010 | 00h00

Um dia após o papa Bento XVI pedir aos bispos brasileiros para condenar o aborto e orientar os fiéis em matéria política, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, em tom crítico, que a Igreja Católica fala a mesma coisa há 2 mil anos.

"Ô gente, não vi nenhuma novidade na declaração do papa, isso é um comportamento da Igreja Católica desde que ela existe", afirmou. "Se for ver o que a Igreja falava há 2 mil anos, ela falava exatamente o que o papa falou."

Após visitar o Salão Internacional do Automóvel, no Anhembi, em São Paulo, Lula minimizou uma possível influência do discurso de Bento XVI nas eleições. "Isso pode ser falado a qualquer momento. Pode ser falado hoje, amanhã, depois de amanhã", disse. "Toda vez que você perguntar a um papa sobre a questão do aborto, ele vai dizer exatamente o que disse o papa antes de ontem."

O presidente também soltou farpas contra a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Na entrevista, Lula disse que a entidade pode se manifestar, mas observou que o Estado é laico. "Olha, eu não acho que ninguém vai além, cada um vai de acordo com a sua consciência", disse. "Este País é democrático e laico, portanto, as pessoas se manifestam do jeito que quiserem. A liberdade é boa por isso, é porque a gente se manifesta, ganha ou perde, pode pagar um preço pelos erros que cometeu." Desde que assumiu o governo em 2003, Lula manteve uma relação conflituosa com a CNBB.

Festa. De São Paulo, Lula viajou para Recife (PE), onde chegou às 17h15 e foi direto para o centro da cidade. Foram 50 minutos de festa ao longo dos cerca de três quilômetros entre a Praça Oswaldo Cruz e a Igreja Nossa Senhora do Carmo.

O povo ovacionou, acenou, fotografou e gritou por Lula, que acompanhou a caminhada em cima de um caminhão, sob chuva. A manifestação popular foi mais de reconhecimento ao que o presidente fez por Pernambuco do que propriamente um ato pró-Dilma Rousseff (PT), embora houvesse bandeiras e adesivos da candidata. Enquanto o carro de som tocava músicas da campanha de Dilma, o povo gritava "Lula, guerreiro do povo brasileiro".

Lula quebrou o protocolo ao chegar no local de concentração. Abraçou e cumprimentou as pessoas antes de subir no caminhão, de onde acompanhou a comoção popular ao lado do governador reeleito Eduardo Campos (PSB) e dos dois senadores eleitos pela coligação - Humberto Costa (PT) e Armando Monteiro Neto (PTB).

No fim do evento, Lula seguiu para a base aérea do Recife e embarcou para Brasília, onde assistiria ao último debate dos presidenciáveis. No primeiro turno, Dilma teve 61,47% dos votos, índice alto, mas abaixo dos 82,8% obtidos por Eduardo Campos. / COLABOROU ANGELA LACERDA

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