Brasil é o 5º do mundo em vítimas, diz OMS

Índia, China, EUA e Rússia lideram, com dados de 2007

Jamil Chade, GENEBRA, O Estadao de S.Paulo

17 de junho de 2009 | 00h00

O Brasil tem o quinto maior número de mortes no trânsito de todo o mundo. O alerta é da Organização Mundial da Saúde (OMS), que nesta semana publica o maior estudo já realizado sobre o impacto dos desastres para a saúde. Para poder comparar todos os países, a OMS utilizou dados de 2007. Naquele ano, houve 35,1 mil mortes causadas por desastres com automóveis no Brasil. Em termos absolutos, esse número só é inferior ao de outros quatro países: Índia (105,7 mil), China (96,6 mil), Estados Unidos (42,6 mil) e Rússia (35,9 mil).Porcentualmente, o Brasil ocupa uma posição intermediária, com 18 mortes para cada 100 mil habitantes. Nesse caso, a taxa é superior à dos Estados Unidos (13) e inferior à da Rússia (25), por exemplo. Os maiores índices se concentram no Leste do Mediterrâneo e nos países africanos. Holanda, Suécia e Reino Unido têm as menores taxas, segundo a pesquisa.Hoje, os acidentes nas estradas já são a décima maior causa de mortes no mundo. Segundo a OMS, esses desastres matam 1,2 milhão de pessoas por ano. Quase metade das vítimas não estava de carro - foram 584 mil pedestres e ciclistas mortos em acidentes, representando 46% do total das mortes. No Sudeste Asiático, esse índice é ainda mais alarmante: 80% das mortes no trânsito envolveram pessoas que sequer têm carro.Para os especialistas, preocupa que o número de acidentes continue crescendo nos países emergentes. Diante do aumento da renda nesses países, o número de carros também cresceu. Mas não necessariamente os dispositivos de segurança.Os dados também indicam que, nos países ricos, a taxa de mortes está estável. Mas, nos países em desenvolvimento, a história é outra. "Cerca de 90% dos acidentes ocorrem nesses países mais pobres, mesmo que essas economias tenham metade dos carros do mundo", afirmou Etienne Krug, diretor do Departamento de Violência da OMS. Apenas 15% dos 178 países avaliados têm uma legislação completa em relação ao trânsito, incluindo limites alcoólicos, limites de velocidade dentro de cidades e obrigatoriedade no uso de capacetes. O problema é que, mesmo nos países onde existem as leis, o cumprimento é falho. A pesquisa mostra que menos de 60% dos países têm leis que exigem o cinto de segurança para todos os ocupantes do veículo. Entre os países mais pobres, a taxa é de apenas 38%. Em relação ao índice máximo recomendado para a concentração de álcool no sangue - 0,05 gramas por decilitro -, menos da metade dos países instituiu esse parâmetro. Diante desses dados, a OMS alerta: se o ritmo de crescimento das mortes for mantido como nos últimos dez anos, o mundo terá 2,4 milhões de mortes em 2030, o dobro do índice atual. NÚMEROS31,1 mil pessoasmorreram em acidentes de trânsito no Brasil em 2007105,7 mil vítimas fataisde acidentes de trânsito foram registradas na Índia, no período1,2 milhão de pessoasmorrem, por ano, em desastres envolvendo automóveis2,4 milhões de mortesé a previsão da OMS para 2030, caso o ritmo de crescimento da violência no trânsito se mantenha38% dos países pobresexigem cinto de segurança para todos os ocupantes

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