Brasil e Suíça fazem acordo contra lavagem de dinheiro

Brasil e Suíça vão combater juntos a lavagem de dinheiro. O acordo que prevê a parceria foi assinado hoje pelos ministros da Justiça brasileiro, Márcio Thomaz Bastos, e suíço, Christoph Blocher, em Berna, capital daquele país. Com isso, será possível a recuperação de dinheiro produto de crimes como corrupção e fraude, no Brasil, depositados em contas secretas na Suíça. A troca de informações entre os dois países sobre crimes será facilitada, segundo o ministro Márcio Thomaz Bastos. Essa é a primeira vez que um país da América do Sul fecha um tratado de cooperação jurídica com a Suíça. Em entrevistacoletiva concedida após a assinatura do acordo, Bastos destacou que a cooperação com as autoridades suíças vaidesburocratizar os procedimentos de investigação do crime organizado e principalmente da lavagem de dinheiro, segundo informa a Agência Brasil. "Facilita as coisas. Ao invés dos grandes dossiês que sejam mandados, basta uma comunicação inicial para que se faça os bloqueios devidos. As provas vão ser produzidas quando possível juntas, vão ser trocadas, os serviços de inteligência vão ser permutados. De modo que eu acredito que o que se está fazendo na Suíça hoje é aquilo que nós estamos tentando fazer com o Brasil: uma ação integrada, de inteligência, de combate forte à lavagem de dinheiro", explicou.Thomaz Bastos reafirmou que a lavagem de dinheiro é a "causa final do crime organizado", e destacou que a cooperaçãointernacional é fundamental no enfrentamento dessas atividades criminosas. "Quando você combate a lavagem de dinheiro, você está combatendo o crime organizado pela sua finalidade, pelo seu objetivo. Então é fundamental que se estabeleça no Brasil uma mentalidade, uma cultura de combate à lavagem de dinheiro e essa cultura passa necessariamente pela cooperação internacional sem a qual não se pode ir muito longe". Segundo o ministro, a conversa com o colega suíço foi importante porque "ficou estabelecida confiança mútua entre os dois países" para a implementação do acordo. "Como todo tratado, esse vale menos pelo que está escrito no papel e mais pela integração e pela execução prática, pela colocação dele no plano da realidade. Sem dúvida que ele vai facilitar, tornar possível a recuperação de ativos que tenham sido produto de crimes como corrupção, fraudes, assassinato, tráfico de drogas". Atualmente, no Brasil estão em vigor acordos de cooperação jurídica em direito penal com os Estados Unidos, Colômbia, França, Itália, Peru, Portugal e Coréia do Sul, além dos países do Mercosul. A ampliação de mecanismos de cooperação internacional, por meio de acordos bilaterais e multilaterais, é uma das linhas da Estratégia Nacional de Combate à Lavagem de Dinheiro, resultado de reunião realizada em dezembro do ano passado, em Pirenópolis (GO). No encontro, foi criado o Gabinete de Gestão Integrada d e Prevenção e Combate à Lavagem de Dinheiro, que reúne 22 órgãos públicos brasileiros.

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