Brasil elege Graziano para diretoria da FAO

Ex-ministro e criador do Fome Zero teve apoio em bloco do G77 e da China e superou espanhol Miguel Ángel Moratinos por 4 votos de diferença

Lisandra Paraguassu / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2011 | 00h00

O Brasil venceu sua primeira grande batalha diplomática internacional e elegeu ontem o engenheiro José Graziano diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Graziano venceu o ex-chanceler espanhol Miguel Ángel Moratinos, por 92 votos a 88.

Coordenador do programa Fome Zero no governo Luiz Inácio Lula da Silva e representante da FAO para a América Latina, Graziano se lançou como representante dos países emergentes contra o das nações mais desenvolvidas, representadas pelo espanhol Moratinos.

Com seis candidatos, a disputa foi uma das mais concorridas da história da entidade, comandada há 18 anos pelo senegalês Jacques Diouf. Na primeira rodada, os postulantes da Indonésia, Indroyono Soesilo (12 votos), da Áustria, Franz Fischler (10), do Iraque, Abdul Latif Rashid (6), e do Irã, Mohammad Saeid Noori Naeini (2), desistiram, quando ficou claro que a disputa se concentraria entre Graziano (77 votos) e Moratinos (72).

Campanha. Os momentos que antecederam a votação final, em Roma, foram de negociações diplomáticas intensas. O Brasil apostava na ideia de que o diretor não poderia ser um europeu, representante das nações que concentram a maior quantidade de subsídios agrícolas no mundo, emperrando o comércio internacional. Moratinos tentou usar o peso e os recursos dos países europeus a seu favor.

Depois das desistências, o G77, dos países não alinhados, e a China, reuniram-se para garantir o apoio em bloco ao brasileiro. O movimento de negociação escancarada e um pedido brasileiro para que a sessão fosse suspensa por meia hora revoltou os espanhóis, mas foi garantida pela mesa diretora. Graziano ainda obteve a declaração de voto dos candidatos da Indonésia e do Irã, enquanto Moratinos foi apoiado pelo austríaco, em um movimento que deixou claro a estratégia de cooperação Sul-Sul.

Em seu discurso de agradecimento, Graziano deixou claro de onde vieram seus apoios: "Quero agradecer a todos os países que participaram dessa eleição, começando pelos países de língua portuguesa, os primeiros a darem respaldo a nossa candidatura ainda sem saber o nome do candidato".

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