Brasil entra no rol dos países mais rígidos com novas regras

As punições da nova lei tiraram o País da lista dos 20 mais tolerantes com o consumo de álcool ao volante

Vitor Hugo Brandalise, O Estadao de S.Paulo

26 de junho de 2008 | 00h00

Após a sanção da nova lei seca, o Brasil sai do grupo dos 20 países mais tolerantes em relação ao consumo de álcool por quem estiver dirigindo para os 15 mais rígidos, entre as 82 nações pesquisadas pela instituição americana International Center for Alcohol Policies, que luta pela redução do consumo de bebidas alcoólicas. A lei 11.705, que entrou em vigor na última sexta-feira, prevê limite de 2 decigramas de álcool por litro de sangue - a partir desse volume o motorista é multado em R$ 955, perde a carteira e o carro é apreendido. Acima de 6 decigramas por litro (equivalente a uma lata de cerveja), a infração é considerada crime, com pena de até 3 anos de prisão.A pesquisa mostra que a legislação brasileira é mais rígida do que a de 63 países, que prevêem limite de concentração de álcool entre 3 e 8 decigramas por litro de sangue.Entre os países da América do Sul, o Brasil tem a segunda legislação mais rígida - atrás apenas da Colômbia, que prevê tolerância zero de álcool. O Uruguai é o país sul-americano mais tolerante ao álcool, com limite de 8 decigramas por litro. Na Inglaterra, onde o limite também é de 8 decigramas, a legislação obriga as pessoas a passarem pelo teste do bafômetro - caso se recusem, são obrigadas a permanecerem detidas por pelo menos 12 horas. Outros exemplos recentes mostram a preocupação dos governos com o tema. Na França, onde o limite é de 5 decigramas, foi aprovada no mês passado uma lei que obriga todos os bares e casas noturnas a terem seus próprios aparelhos de bafômetro. "A primeira coisa que devemos entender é que não há país no mundo que não tenha reduzido o número de acidentes após ter diminuído a tolerância. Agora, na prática, a tolerância é zero mesmo no Brasil", diz Alberto Sabbag, da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet). Segundo Sabbag, o primeiro país no mundo a diminuir a tolerância em relação ao álcool foi o Japão, na década de 1970. "Já naquela época, devido à sua geografia, o Japão tinha a maior densidade de tráfego do mundo. Quando os acidentes subiram demais, a tolerância no país foi a zero. Hoje, é um dos exemplos de rigidez no cumprimento e execução das leis", afirma. Há países que vão no sentido contrário. No Canadá, cuja legislação é mais tolerante em relação álcool - de 8 decigramas por litro de sangue -, em 2006, mesmo pressionado pela sociedade, o governo decidiu que a melhor solução não seria diminuir a tolerância, mas fazer valer a legislação existente - uma das decisões foi aumentar o efetivo e equipar a polícia com melhores equipamentos.

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