Bruna Justa / ESTADÃO
Além de revelar a estagnação, o trabalho mostra que o Brasil continua sendo um país extremamente desigual Bruna Justa / ESTADÃO

Brasil estagna no ranking do IDH pelo 3º ano e ocupa 79ª colocação entre 189 países

Índice leva em consideração dados de educação, saúde e renda. Relatório mostra ainda país extremamente desigual. Noruega lidera ranking

Lígia Formenti, O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2018 | 11h00
Atualizado 14 de setembro de 2018 | 20h58

BRASÍLIA - O Brasil ficou estagnado pelo terceiro ano consecutivo no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) – permanece, desde 2015, na 79.ª colocação entre 189 países analisados. O desempenho brasileiro atualmente é bem diferente do apresentado entre 2012 e 2014, período em que o País avançou seis colocações na classificação.

Relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Humano (PNUD), divulgado nesta sexta-feira, 14, aponta que o Brasil alcançou a nota 0,759 – isso é apenas 0,001 a mais do que o obtido no ano anterior. A escala vai de zero a um. Quanto mais próximo de um, maior o desenvolvimento humano.

O IDH avalia o progresso dos países com base em três dimensões: saúde, educação e renda. Os indicadores brasileiros usados para fazer o trabalho são de 2017.

Ao comentar os dados, a coordenadora da unidade de Desenvolvimento Humano do PNUD, Samantha Dotto Salve, foi diplomática. “Estamos recebendo os dados agora”, disse. Ela ponderou ainda que o número de países que participam da avaliação foi alterado. No ano passado, o ranking era composto por 188 países e territórios. Na versão atual, há um a mais: 189.

Além de revelar a estagnação, o trabalho mostra que o Brasil continua sendo um país extremamente desigual. Se as diferenças fossem levadas em consideração, o País cairia 17 posições na classificação. 

Noruega lidera ranking

O primeiro colocado no ranking preparado pelo PNUD foi a Noruega, que apresentou indicador 0,953. Em seguida, vem a Suíça, com 0,944 e Austrália, com 0,939. Niger, o último colocado, apresenta IDH de 0,354. Confira aqui a lista completa de países (em inglês). 

Com a pontuação obtida, o Brasil continua no grupo classificado como de Alto Desenvolvimento Humano. Além do Brasil, outros 60 países mantiveram sua colocação no ranking. Na América do Sul,  Argentina, Chile e Suriname. De todo o grupo, 34 países subiram no ranking e 94 tiveram queda na colocação. Na América do Sul, apenas o Uruguai melhorou sua posição do ranking, passando de 56º para 55º.

Um dos indicadores responsáveis pela manutenção do posto do Brasil no ranking foi a saúde. A esperança de vida ao nascer do brasileiro é de 75,7 anos, um indicador que ano a ano vem apresentando melhoras. Em 2015, por exemplo, era de 75,3. A área de conhecimento, por sua vez, apresenta poucas alterações.

Desde 2015, a expectativa de anos de escolaridade para uma criança que entra no ensino em idade escolar permanece inalterada na marca  de 15,4.  A média de anos de estudo teve uma leve ampliação, de 7,6 para 7,8 no período 2015-2017. A renda, por outro lado, apresenta uma queda importante quando comparada com 2015. Naquele ano, a renda nacional per capita era de 14,350 ppp, caiu para 13,730 em 2016 e agora teve uma leve recuperação: 13,755 ppp. O IDH não usa a conversão real do dólar, mas o quanto se pode comprar com ele, chamado de paridade do poder de compra (PPP, em inglês).

Dados do PNUD mostram que o desemprego no Brasil entre população jovem é o maior da América do Sul: 30,5%. Dos jovens com idade entre 15 e 24 anos, 24,8% não trabalham e não estudam. No Uruguai, a marca é de 18,7% e na Argentina, 19,7%.

Brasil perde 17 posições se desigualdade for considerada

O Brasil perde 17 posições na classificação do relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento quando a desigualdade é levada em consideração.  O cálculo considera as diferenças entre os mais e menos abastados. A queda é a mesma que a apresentada pela África do Sul e menor apenas que a sofrida pelo arquipélago Comores, de 18 colocações. Se for considerado o coeficiente de Gini, que mede a concentração de renda, o Brasil é o 9º mais desigual.

As diferenças são constatadas na renda e também no gênero. O IDH dos homens brasileiros é de 0,761 enquanto o das mulheres é de 0,755. Embora mulheres tenham maior expectativa de vida e indicadores melhores na área de conhecimento, elas ganham 42,7% menos do que homens. O trabalho mostra que mulheres no Brasil recebem 10.073 ppp enquanto homens, 17.566.

 A disparidade de renda está presente em vários países. No Uruguai, por exemplo, a renda média das mulheres é de 15.282 ppp, enquanto homens é de 24.905. Mas, no caso desse país, a diferença dos demais indicadores é tamanha em favor da mulher que o IDH geral é superior para o grupo feminino: 0,087 ante 0.796 para o grupo masculino.

Procurado, o Planalto informou que manifestações seriam feitas apenas por ministérios. O Ministério da Educação (MEC) afirmou não conhecer os resultados e que, portanto, não teria condições de fazer avaliações.  

Já o Ministério da Saúde argumentou que a mortalidade materna caiu 57% entre 1990 e 2015, passando de 143 para 62 óbitos a cada 100 mil nascidos vivos. A pasta admitiu que os indicadores voltaram a aumentar em 2016, mas, argumenta, o acréscimo não foi significativo. Os números apresentados pelo ministério são ainda superiores àqueles usados pelo PNUD para fazer o IDH.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Brasil tem menos mulheres no Parlamento que Niger, país com pior IDH

Congresso Nacional apresenta 11,3% das cadeiras ocupadas por deputadas e senadoras. Em Niger, são 17%

Lígia Formenti, O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2018 | 11h00

BRASÍLIA - O país com menor IDH mundial, Niger, tem mais mulheres no Parlamento do que o Brasil. O Congresso Nacional apresenta 11,3% das cadeiras ocupadas por deputadas e senadoras. Em Niger, são 17%. A participação das mulheres na política é um dos aspectos observados pelo PNUD para avaliar a desigualdade de gênero nos países.

Além da participação, são consideradas as taxas de mortalidade materna, a taxa de natalidade de mães adolescentes, a educação secundária além da participação na força de trabalho. Nesse indicador, batizado de Índice de Desigualdade de Gênero, o Brasil está entre a metade com as piores colocações. De 160 países, ele ocupa a 94ª posição.

A colocação está bem abaixo dos nossos vizinhos. Argentina, por exemplo, está na 81ª posição e o Uruguai, a 57ª posição. Esse desempenho se explica. A taxa brasileira de mortalidade materna, por exemplo, é de 44 óbitos a cada 100 mil nascidos vivos. O dobro do que o apresentado no Chile e 3,5 vezes do que o apresentado no Uruguai.

A proporção de meninas entre 15 e 19 anos que se tornam mães no Brasil também é expressivamente maior. A cada mil mulheres nessa faixa etária, 61,6 se tornam mães. No Chile, a proporção é de 45.6 e no Uruguai, 54,7.

País ficou estagnado pelo 3º ano, na 79ª posição

O Brasil ficou estagnado pelo terceiro ano consecutivo no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) – permanece, desde 2015, na 79.ª colocação entre 189 países analisados. O desempenho brasileiro atualmente é bem diferente do apresentado entre 2012 e 2014, período em que o País avançou seis colocações na classificação.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.