MÁRCIO FERNANDES/ESTADÃO
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Brasil freia avanços sociais em 2015, diz Ipea

Índice de vulnerabilidade social do Ipea caiu 27% entre 2000 e 2010, mas foi reduzido em apenas 18% entre 2011 e 2015

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

23 Agosto 2017 | 10h30

O Brasil teve um avanço significativo na redução de vulnerabilidade e exclusão social entre 2000 e 2010, mas a melhora foi drasticamente reduzida no período entre 2011 e 2015, de acordo com um relatório lançado nesta quarta-feira, 23, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O ano de 2015 foi de agravamento da crise econômica no País. 

A publicação se baseia em um novo Índice de Vulnerabilidade Social (IVS) criado pelo Ipea para formar uma plataforma digital de indicadores relacionados à vulnerabilidade e exclusão sociais. A plataforma permitirá a consulta do índice para 5.565 municípios, 27 Estados, 20 Regiões Metropolitanas e para o agregado do País.

Os dados para os anos de 2000 e 2010 foram extraídos dos Censos Demográficos do IBGE, realizados a cada 10 anos. Os dados relacionados ao período entre 2011 e 2015 têm base no Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio (PNAD).

De acordo com o Ipea, o IVS mostra a ausência ou insuficiência de recursos essenciais para o bem-estar e qualidade de vida da população, conformando situações de vulnerabilidade social. O índice é composto pela média de 16 indicadores divididos em três dimensões: Infraestrutura Urbana, Capital Humano e Renda e Trabalho.

O número final, que compõe o IVS, varia entre 0 e 1 - quanto mais próximo de 1 é o valor, mais alta a vulnerabilidade. A vulnerabilidade é classificada como "baixa", para um índice entre 0 e 0,2, "média" para IVS entre 0,3 e 0,4, "alta", entre 0,4 e 0,5 e "muito alta" para valores entre 0,5 e 1.

O relatório mostra que o IVS caiu 27% entre 2000 e 2010 no Brasil, fazendo o País passar de alta para média vulnerabilidade social. O avanço mais considerável, porém, ocorreu entre 2010 e 2011, quando o índice foi reduzido em 18%, passando de 0,326 para 0,266. O Brasil passou então à classificação de baixa vulnerabilidade.

Entretanto, a partir de 2011, embora o Brasil tenha se mantido na faixa de baixa vulnerabilidade, a redução do IVS foi bem menor, caindo apenas 7% e passando de 0,266 para 0,248. Assim, enquanto o índice caiu em uma taxa média de 2,7% por ano entre 2000 e 2010, a redução foi de apenas 1,75% entre 2011 e 2015.

Segundo o Ipea, apesar de mantida a tendência de redução da vulnerabilidade social nos últimos cinco anos analisados, constatou-se a perda dessa dinâmica em comparação ao período anterior.

"Ainda que avanços significativos nos indicadores de desenvolvimento humano tenham sido observados na comparação dos anos 2000 para 2010, nota-se que os mecanismos de reprodução das desigualdades no Brasil são mais complexos e não são de simples superação, vez que estão associados a questões históricas, sociais, culturais e políticas da formação da sociedade brasileira", diz o relatório do Ipea.

Além disso, a partir de 2014, o IVS não apresentou redução de valores, mas sim um aumento de 2%, saindo de 0,243 em 2014 para 0,248 em 2015. "Este pequeno aumento de 0,005 pode significar um ponto de inflexão na curva da redução da vulnerabilidade social", diz o documento.

No período entre 2011 e 2015, foi calculado o IVS para nove Regiões Metropolitanas (RM) e para o Distrito Federal. Os resultados, porém, não apresentam o mesmo comportamento na redução da vulnerabilidade social que é observado entre 2000 e 2010, quando todas as RMs registraram diminuição da vulnerabilidade social em patamares superiores a 22%. De 2011 em diante, o índice oscilou sem padrão aparente, segundo o Ipea.

No fim do período, em 2015, quatro RMs tiveram aumento da vulnerabilidade social: São Paulo (2%), Porto Alegre (0,4%), Fortaleza (4%) e Recife (16%). Destaque negativo, Recife havia reduzido sua vulnerabilidade social em 25% no período entre 2000 e 2010. Em Fortaleza, a piora não foi tão dramática, mas a cidade havia registrado a maior redução de vulnerabilidade no período anterior, de 28%.

As únicas RMs a registrarem redução da vulnerabilidade acima de 10% entre 2011 e 2015 foram Salvador (15,5%), Belém (14%) e Belo Horizonte (11%). As RMs que em 2010 ainda encontravam-se na faixa de média vulnerabilidade, chegaram, em 2015, à faixa da baixa vulnerabilidade, com exceção de Salvador. Apesar de ter apresentado a maior redução do IVS no período de 2011 a 2015, a capital baiana permaneceu na faixa da média vulnerabilidade social.

Etnia. Em 2000, a vulnerabilidade social de pessoas negras era 49% maior que de pessoas brancas. Em 2010, a diferença continuou alta: 48%. Em 2011, a diferença entre o IVS de negros e de brancos continuou acima dos 45%. Entre 2011 e 2015, a diferença caiu para 37%. Essa redução permitiu que a população negra ocupasse a mesma faixa de vulnerabilidade social que a população branca - ambas classificadas como baixa vulnerabilidade social.

 

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