Brasil lança ofensiva para conquistar turista negro dos EUA

Peças publicitárias voltadas para o público serão divulgadas no país a partir da segunda quinzena de junho

Gustavo Miranda, estadao.com.br

04 de junho de 2008 | 20h12

De olho em um mercado que gira mais de 600 milhões de dólares por ano, o Brasil prepara uma verdadeira ofensiva para atrair cada vez mais turistas afro-americanos para o País. Na segunda quinzena de junho, o Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur) pretende disparar pelo menos uma campanha publicitária que deverá atingir revistas e sites voltados para o turismo do público negro dos Estados Unidos, além de inserções no canal CNN. As ruas de Nova York, Miami e Los Angeles receberão também ações específicas para conquistar os dólares que podem vir de lá.   "A fatia negra do mercado norte-americano foi escolhida porque faz parte de um perfil que consome. Essa experiência já foi provada na Bahia, sobretudo com grupos que vinham para conhecer pontos de identificação, como locais religiosos, centros de difusão da cultura afro. Assim, agora o País investe na construção de uma imagem mais consolidada dentro deste mercado", explicou a presidente do Embratur, Jeanine Pires.   A principal aposta da campanha capitaneada pelo instituto é a reprodução de peças exclusivas para a mídia especializada no público negro americano, como a revista Giant e a rede TV One. Tanto a publicação quanto a emissora de tevê abordam estilo de vida, entretenimento e turismo em suas produções. O Rio de Janeiro e a Bahia são os principais destinos do público norte-americano e, por isso, são os destaques nas peças publicitárias.   Segundo pesquisa realizada pelo Census and National Center for Educational Statistic em 2004, a população afro-americana cresceu 35% desde 1990, enquanto o poder de consumo aumentou 222% - dados que foram acompanhados por uma evolução da escolaridade e ocupação de cargos de gerência. "O negro americano está acostumado a fazer viagens internacionais. O gasto médio diário do turista americano é de US$ 138,84. Esse é um público que a gente não pode desprezar", diz Jeanine.   As projeções iniciais do Embratur é de que a campanha se estenda até setembro, com um investimento total de R$ 3,48 milhões. Depois dos argentinos, os norte-americanos são os que mais visitam o País (foram 700 mil no ano passado). A maioria deles veio para encontrar familiares: são 34,85; 34,3% visitaram o Brasil para fazer negócios ou participar de congressos e convenções; 26,7% vieram a lazer. Os destinos mais procurados pelos americanos são Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Foz do Iguaçu e Manaus.                        O que a Bahia tem?   A experiência que está sendo abraçada agora em nível nacional começou no ano passado, com a Secretaria de Turismo do Estado da Bahia. No ano passado, o governo foi procurado por um operador de turismo norte-americano que queria fechar pacotes para a Festa de Nossa Senhora da Boa Morte, que acontece tradicionalmente no mês de agosto. Segundo o coordenador de Turismo Étnico do governo baiano, Billy Arquemimo, após esse primeiro contato, o Estado conseguiu dobrar o número de visitantes para a festa. "Antes, a gente tinha uns 300 norte-americanos. Com a parceria, esse número foi a 600 turistas. O que fez a gente identificar esse potencial de investimento".   O programa, na visão do coordenador, ainda encontra, no entanto, alguns entraves. O principal deles seria a falta de vôos diretos entre cidades americanas e Salvador. "Eu tenho operadores especializados em negros que vivem argumentando que seria melhor se existisse um vôo direto entre Estados Unidos e Bahia. Essa é uma das nossas próximas metas. Vamos trabalhar forte para conseguir esse investimento", diz Arquemimo.   Em tom mais conciliador, a presidente do Embratur já comemora a criação de um vôo que vem da Coréia, faz escala em Los Angeles e depois chega ao Rio de Janeiro. "A criação de novos vôos, como Nova York-Rio ou Rio-Miami, seria um agente facilitador do nosso trabalho de divulgação do Brasil no exterior. Enquanto a gente não consegue isso, no entanto, vai trabalhando com o que está na mão, consolidando a imagem do Brasil como um país amigável para negros, gays, estrangeiros em geral", explica Jeanine Pires.

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