Brasil não protege defensor dos direitos humanos, diz Anistia

A secretária-geral da Anistia Internacional, Irene Kahn, criticou hoje o Brasil por apresentar um discurso em favor da proteção dos defensores dos direitos humanos, mas manter práticas em que a vida dessas pessoas são colocadas em risco. Ela destacou a "grande distância" entre as leis e o que "realmente acontece" tanto no Brasil quanto nos países da América Latina. Para ela, que lançou hoje relatório sobre a situação dos defensores dos direitos humanos nas Américas, o grande desafio é "converter as leis em ações". Apesar das críticas, ela espera que o Brasil lidere um movimento nas Américas para proteção dos defensores dos direitos humanos e lembrou que o País é o primeiro na região a criar uma Coordenação Nacional de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos, que inclui um programa de proteção aos ativistas ameaçados. "Gostaríamos de ver Lula como representante da causa dos direitos humanos internacionalmente e regionalmente", afirmou.No relatório, a Anistia Internacional faz menção ao líder do MST, José Rainha Júnior, como exemplo de ativista preso "sob falsas acusações para evitar que liderem campanhas para garantir o acesso à terra". Na apresentação do relatório, a advogada paulista Valdênia Aparecida Paulino, a primeira defensora dos direitos humanas a ser contemplada pelo programa de proteção do governo, acusou policiais de trabalharem drogados na periferia paulista, para onde são mandados como punição disciplinar.

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