Brasil precisa de ajuda externa, diz associação de tráfego aéreo

Um grupo internacional decontroladores de tráfego aéreo defendeu na segunda-feira umaintervenção de especialistas estrangeiros na crise do sistemaaéreo brasileiro, que já dura quase um ano e que o governo nãoconsegue solucionar. Uma intervenção desse tipo teria de ser aprovada pelogoverno.Na terça-feira passada, no pior acidente da história da aviaçãobrasileira, um Airbus da TAM chocou-se contra prédios matandocerca de 200 pessoas em São Paulo, dez meses depois do choquede aeronaves em pleno vôo que matou 154 pessoas sobre aAmazônia, todas ocupantes de um Boeing da Gol. No final de semana, um apagão no sistema de radaresCindacta-4, na região da Amazônia, obrigou vôos internacionaisa retornar ou pousar em Manaus, causando um reflexo em toda amalha aérea do país. "As autoridades brasileiras estão ocupadas demais tentandolivrar a própria cara. Estão colocando o público que viaja emrisco", disse à Reuters Marc Baumgartner, presidente daFederação Internacional das Associações de Controladores doTráfego Aéreo (IFATCA). "Achamos que eles precisam de uma opinião independente",acrescentou. "Ela (a Federação) tem a vantagem de ser neutra ejá funcionou em outros países que enfrentaram crises naaviação." A federação, que possui mais de 50 mil membros em mais de130 países, já havia criticado o governo brasileiro por tentarachar bodes expiatórios para a crise em vez de procurarmaneiras de evitar que o setor aéreo mergulhe ainda mais nocaos. As autoridades da aviação brasileira responderam comindignação ao apelo pela intervenção, chamando-o de umatentativa de interferir na soberania do país. "São uns imbecis querendo se meter. O Brasil não precisa deajuda internacional. Eles que cuidem do espaço aéreo deles enós cuidamos do nosso", disse, irritado, o brigadeiro JoséCarlos Pereira, presidente da Infraero, responsável pelosaeroportos brasileiros, nesta segunda-feira. Na sexta-feira, as autoridades prometeram construir umterceiro aeroporto em São Paulo, reduzir o tráfego em Congonhase transferir vôos para o aeroporto internacional de Guarulhos. Desde o acidente com o Boeing 737 da Gol, em setembro, opaís enfrenta um "apagão aéreo". Os controladores de vôo,temendo ser responsabilizados pelo acidente, fizeramoperações-padrão em protesto pelas más condições de trabalho. Os atrasos e cancelamentos de vôos viraram rotina. Nestasegunda-feira, dos 1.223 vôos programados nos aeroportosbrasileiros, 37,1 por cento tinham mais de uma hora de atraso e16,9 por cento foram cancelados, das 0h às 15h.

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