Brasil precisa de líder, não de gerente, diz Marina

Para candidata do PV, Serra e Dilma são 'tecnocratas', têm visão de desenvolvimento igual e perfil muito parecido

Rafael Moraes Moura, BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2010 | 00h00

A candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, disse ontem que o Brasil precisa de um líder, não de um gerente. Para ela, a visão de modelo de desenvolvimento de José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) é "praticamente igual". Marina concedeu entrevista coletiva na Universidade de Brasília (UnB), antes de participar de debate com a comunidade acadêmica.

"Ambos são desenvolvimentistas, têm uma visão do crescimento pelo crescimento e um perfil até muito parecido, essa coisa de se colocarem como gerentes, tecnocratas", analisou. "Eu até tenho dito que o Brasil não precisa de um gerente, precisa de liderança, e aprendeu isso nos últimos 16 anos."

Em tom conciliador, citou Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva como exemplos de líderes. Na avaliação da candidata, FHC conseguiu reunir economistas de diferentes matizes para elaborar o Plano Real, enquanto o presidente Lula é "um líder político, um homem com visão estratégica".

Dossiê. Marina também criticou o caso do dossiê envolvendo a campanha petista. "As disputas eleitorais são sempre permeadas desses episódios lamentáveis. Episódios como esse não favorecem ninguém e desfavorecem a democracia", avaliou.

Ela disse esperar que a campanha não baixe de nível. "Não quero ir para o embate com Dilma ou Serra, para mim não é coisa de vida e morte."

Questionada se a falta de mais tempo no horário eleitoral gratuito poderia atrapalhar seu desempenho nas urnas, Marina alegou que já está subindo nas pesquisas. "Estou crescendo sem o tempo gratuito na televisão. As pessoas falam para mim: "Senadora, você está estacionada em 3%." Depois, eu fui para 5, 6, 8, 10% e a pergunta continua: "A senhora estacionou em 12%?"", comentou.

"De 3% para 12%, não sei se está estacionada, tomara que eu estacione em 51% dos votos dos brasileiros para ganhar no primeiro turno", disse a candidata.

Marina defendeu um plebiscito para tratar do aborto e da descriminalização das drogas. Durante o debate na UnB, que lotou o auditório Dois Candangos, ela reiterou a sua plataforma de governo, baseada no desenvolvimento sustentável, e criticou mudanças no Código Florestal Brasileiro.

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