Brasil propõe nova redução de limite de compras ao Paraguai

O governo brasileiro propôs ao Paraguai uma nova redução do limite de compras na região da fronteira para US$ 150, com isenção dos impostos sobre importação. Atualmente, o valor máximo de US$ 300 - US$ 200 menos que no ingresso por outras aduanas - tornou-se o principal motivo de tensões diplomáticas entre os dois países, de manifestações de sacoleiros na região de Foz do Iguaçu e Ciudad del Este e de bloqueios na ponte da Amizade, sobre o rio Paraná. Até o final desta edição, as negociações não haviam sido concluídas.Do lado brasileiro, as discussões foram lideradas pelo embaixador José Eduardo Felício, subsecretário para Assuntos de América do Sul do Itamaraty. Mas estiveram presentes representantes da Receita Federal do Brasil, que reclamam pontualmente da negligência das autoridades paraguaias no controle na região, que tornou-se a principal via de contrabando entre os dois países.Até maio de 2005, a cota de compras isentas de tributos para os sacoleiros era de US$ 150. Mas foi elevada para US$ 300 como um sinal de confiança do governo brasileiro nas ações de fiscalização do Paraguai. Os paraguaios, entretanto, pleiteiam o aumento desse valor para US$ 500.No último dia 8, a prisão de oito contrabandistas paraguaios pela Polícia Federal elevou a tensão na região. Como represália, manifestantes retiveram sete ônibus de turistas provenientes do Chile, da Argentina e do Uruguai que se dirigiam ao Brasil e bloquearam a Ponte da Amizade. Proprietários de lojas em Ciudad del Este também fecharam seus estabelecimentos como sinal de protesto.Pedido de retiradaO governo do Paraguai deve pedir a remoção do cônsul brasileiro em Foz do Iguaçu, Fernando Antonio Cruz de Mello, que na sexta-feira, em telefonema ao prefeito de Ciudad del Leste, Javier Zacarías Irún, teria acusado o governo do país vizinho de incentivar o contrabando e a pirataria. O pedido foi feito à chanceler Leila Rachid, por Zacarias.A Prefeitura de Ciudad del Leste contabilizou, até o final da tarde desta terça, cerca de mil caminhões e 60 contêineres deixaram de cruzar a Ponte da Amizade desde que ela voltou a ser bloqueada, às 6 horas de segunda-feira. Na tentativa de cumprir o prazo de entrega de mercadorias, caminheiros dos dois países estão desviando por Guaira (PR) e Salto del Guairá.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.