Venerável Irmandade Ordem da Lapa
Venerável Irmandade Ordem da Lapa

Brasil quer coração de Dom Pedro I para celebrar 200 anos da independência

Autoridades portuguesas dizem que seria interessante ceder coração mumificado temporariamente, se não houver riscos

EFE, O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2022 | 12h11
Atualizado 09 de maio de 2022 | 12h12

Lisboa - O governo do Brasil deseja contar com um empréstimo temporário do coração mumificado de Dom Pedro I, que hoje está em Portugal, para a comemoração dos 200 anos da independência do País. O bicentenário é comemorado no próximo sete de setembro. 

A informação foi revelada à Agência Lusa pelo diplomata brasileiro George Prata, um dos coordenadores das atividades culturais da comemoração da data histórica. Prata explicou que fez a proposta às autoridades portugueses durante visita ao país europeu, em fevereiro deste ano.

O ex-embaixador do Brasil em Oslo, porém, disse que ainda não houve solicitação formal de Brasília ao governo português, pois não estão garantidas as condições do eventual traslado. O coração do imperador está conservado em um recipiente de vidro. Por decisão testamentária, o órgão do monarca foi doado à Igreja de Nossa Senhora da Lapa, na cidade do Porto.

Embora ainda esteja pendente uma avaliação técnica antes do aval, as autoridades portuguesas receberam o pedido “com interesse”, de acordo com Prata. “Se não representa riscos, seria interessante ceder o coração temporariamente”, afirmou o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, ao jornal local Expresso.

Os restos mortais de Dom Pedro I, exceto o coração, foram transferidos para São Paulo e sepultados no Monumento à Independência, no Ipiranga, zona sul, em 1972.

Uma pesquisa de mestrado apresentada em 2013 na Universidade de São Paulo (USP) trabalhou na exumação dos restos mortais do imperador e de suas duas mulheres, Leopoldina e Amélia, como mostrou o Estadão na época. O material passou por uma série de exames na Faculdade de Medicina.

O estudo serviu para desmentir episódios da história e confirmar outros – como a “lenda” de que Leopoldina teria sido empurrada escada abaixo e fraturado o fêmur. Os exames, porém, não demonstraram nada.

Pedro I nasceu 1798, em Lisboa, mas se mudou em 1808 para o Brasil junto com a família real lusitana, que fugia das tropas francesas de Napoleão Bonaparte. Em 1822, ele foi líder do processo de independência e se tornou o primeiro imperador do Brasil, em reinado que durou até 1831.

Naquele ano, abdicou do trono em favor do seu filho, Pedro II, e retornou para Portugal com o objetivo de defender o direito de sua outra filha, D. Maria II, de assumir a Coroa lusitana. 

Conhecido em Portugal como Pedro IV, ele contraiu tuberculose e morreu três anos depois. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.