Brasil quer criar Interpol regional no Mercosul

O Brasil vai apresentar na próxima reunião do Mercosul a proposta de criação da Mercopol, um organismo de articulação das polícias do bloco. "Seria como a Interpol no âmbito regional", explica o secretário executivo do Ministério da Justiça, Luiz Paulo Barreto. Quem está encaminhando a proposta é o secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior. "Temos de conseguir alguma forma de ampliar a capacidade da justiça. Na região da fronteira seca, as pessoas podem cometer um crime, atravessar a rua e ficar rindo, porque estão do outro lado e a polícia não pode atuar", conta Tuma. A articulação também permitiria cumprir mandados judiciais do outro lado da fronteira.Segundo Tuma, a ideia de cooperação entre as polícias não é nova. "Vem desde que fui chefe do escritório da Interpol, de 1989 a 1992." Uma das principais áreas em que ele acredita ser necessário o trabalho conjunto é o tráfico de drogas - cada vez mais feito por organizações internacionais. Se for aprovado, a Mercopol não será a única articulação regional de polícias. A Europa já tem a Europol. No entanto, segundo Barreto, não está prevista a possibilidade de a polícia de um país entrar em perseguição a fugitivos até 50 quilômetros dentro das fronteiras sem necessidade de autorização prévia das autoridades, como acontece por lá. PASSAPORTEBarreto e Tuma encontram-se em Lisboa para participar do 2º Seminário Luso-Brasileiro sobre Tráfico de Pessoas e Imigração Ilegal. Durante o seminário, foi oferecido ao País o piloto de um sistema inovador de análise de passaportes criado em Portugal chamado Rapid. "Você coloca a página da fotografia do passaporte num scanner, depois se abre uma janela com uma máquina de reconhecimento facial e em 8 segundos o processo está feito", relata Barreto, que espera utilizá-lo no País, inicialmente em Brasília.

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