Brasil recebe em 2012 assembleia da SIP

Diretor executivo da entidade, Julio Muñoz, confirmou encontro para outubro do ano que vem, em São Paulo

Gabriel Manzano, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2011 | 00h00

Depois de 21 anos, a Sociedad Interamericana de Prensa (SIP) volta a fazer uma assembleia-geral anual no Brasil. Será entre 12 e 16 de outubro de 2012, no Hotel Renaissance, em São Paulo, informaram ontem o diretor executivo da entidade, Julio Muñoz, e o diretor-presidente do Grupo Estado, Silvio Genesini, em coletiva no auditório do jornal.

"Esperamos reunir entre 500 e 600 delegados de toda a América Latina, para discutir temas com liberdade de expressão e o impacto de novas tecnologias na área da informação", resumiu Muñoz. Sua viagem ao Brasil inclui também contatos amanhã, em Brasília - primeiro com a Associação Nacional de Jornais e depois em um debate sobre informação pública no Supremo Tribunal Federal (STF).

Indicado para presidir o comitê anfitrião da futura assembleia - a 68.ª da história da SIP, que existe desde 1926 - Silvio Genesini comandará um time com representantes do Estado, Folha de S. Paulo, O Globo, A Tribuna, Diários Associados, O Popular, Gazeta do Povo, Zero Hora, Correio Popular e Editora Abril.

Em conjunto com a direção da SIP, eles estarão encarregados de organizar o evento, fazendo os contatos para patrocínios e ajudando a definir temas e painéis para os debates. Um capítulo central, em todos os encontros, é uma análise, país por país, da situação da liberdade de expressão.

A reunião anterior da SIP no Brasil aconteceu em Fortaleza, em 1991. A entidade tem hoje 1.300 jornais filiados, lidos por 43 milhões de leitores.

Censura. "É significativo que a reunião aconteça em São Paulo", observou Muñoz. "Aqui está este jornal, o único do continente que teve três pessoas de uma única família, a de Júlio de Mesquita Filho, como presidentes da SIP. E um jornal que, neste País que hoje vive uma situação bem mais tranquila que no passado, está submetido a uma inexplicável censura judicial há mais de 600 dias."

Genesini destacou, na entrevista, que a presidente Dilma Rousseff assinou - assim como seus adversários em 2010, José Serra e Marina Silva - um compromisso com a Declaração de Chapultepec, sobre liberdade de expressão e direito à informação. "Vai ser importante, nessa assembleia, poder discutir abertamente o direito dos cidadãos à informação e questões judiciais", afirmou. O diretor-presidente do Grupo Estado lembrou "uma certa ausência de pressa" do Judiciário em julgar o caso da censura ao Estado, que definiu como "uma forma de censura prévia igual a todas as outras".D

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