Brasil rejeita usar diplomacia ''neocolonial''

A ideia do Brasil é se diferenciar da cooperação oferecida pelos países ricos, que impõem condições duras para transferir recursos e tecnologia a países pobres. Para o governo brasileiro, os países ricos fazem cooperação com um ponto de vista neocolonial, para manter o espaço de influência política e manter mercados.

Patrícia Campos Mello, O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2010 | 00h00

O governo brasileiro prega uma cooperação solidária entre países em desenvolvimento, sem o comportamento de antigo colonizador e de fazer julgamentos usando como parâmetro os países ricos. "Na África há muito governos autoritários, não se pode analisar de forma geral, é preciso olhar caso a caso", diz o embaixador Piragibe Santos Tarragô, subsecretário geral político encarregado de África e Oriente Médio. "Não dá para usar as mesmas medidas que usamos para a Europa, por exemplo."

Mas o Brasil tampouco quer emular o modelo chinês - que inclui apoio a governos autoritários como o de Zimbábue em troca de garantias de fornecimento de matérias primas. Trata-se de uma atuação muito agressiva do ponto de vista comercial, com doações de obras de infraestrutura em troca de direitos para exploração prioritária de recursos. Na China, o órgão de cooperação é subordinado ao Ministério do Comércio.

Para não se imiscuir em questões políticas dos países e endossar, ainda que de forma involuntária, regimes autoritários, a cooperação se dá em nível eminentemente técnico, explica Marco Farani, diretor da Agência Brasileira de Cooperação. Em cooperação na área de agricultura, por exemplo, trata-se de promover intercâmbio entre equipes da Embrapa, com técnicos dos Ministérios da Agricultura dos países. No Afeganistão, a Embrapa está levando programas para substituir o cultivo da papoula.

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