Brasil tem forças rivais que custam caro ao contribuinte

A sociedade precisa de instrumentos eficientes de defesa contra a violência. A caixa de ferramentas para essa defesa social é universal: leis criminais e processuais, polícia, Ministério Público, Judiciário, prisões.

ANÁLISE: José Vicente da Silva Filho - Especial para o Estado,

27 Maio 2014 | 19h58

Nesse conjunto se sobressai o papel da polícia no controle do crime, porque só ela pode dar respostas na velocidade que a gravidade e a urgência do problema exigem. O problema é que o atual modelo é uma jabuticaba institucional bem brasileira, com duas polícias rivais, que custam caro e não estão evitando o crescimento, a diversificação e a crescente violência da criminalidade nem a propagação do medo, que corrói nossa qualidade de vida.

Preserva-se a dualidade policial como se fosse patrimônio histórico, aceitando-se a irracionalidade da convivência de duas organizações extremamente diferenciadas para cuidar do mesmo problema: controlar o crime.

Nas polícias modernas, as funções de policiamento uniformizado e de investigação se interpenetram e devem muito de seu êxito ao planejamento e comando único das ações para enfrentamento do crime. Institucionalizar essa integração num único corpo policial é a solução para uma polícia sem adjetivos, nem militar nem civil. Não podemos enfrentar o crime do século 21, cada vez mais organizado e ousado, com uma polícia ineficiente e cara, com raízes no século 19.

A unificação será difícil? Claro que sim, mas isso é problema do governo que está aí para defender nossa sociedade. Para a sociedade viver com a violência é mais que difícil, é insuportável.

JOSÉ VICENTE DA SILVA FILHO É EX-COMANDANTE DA PM DE SÃO PAULO, EX-SECRETÁRIO NACIONAL DE SEGURANÇA PÚBLICA, PROFESSOR DO CENTRO DE ALTOS ESTUDOS DE SEGURANÇA DA PM E MEMBRO DO FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA.

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