Brasil tem índices de violência superiores aos da Palestina e da Colômbia

Apesar de o Brasil não estar oficialmente em guerra, os índices de violência no País são superiores a muitas regiões onde há conflitos, como na Colômbia e na Palestina. Essa é a avaliação da organização não-governamental (ong) Small Arms Survey, queestá se tornando a principal fonte de informação sobre o assunto no mundo. Segundo a ong, armas leves (que inclui todo o tipo de arma que um indivíduo pode carregar) causam cerca de 41 mil mortes no Brasil por ano, índice superior ao Colômbia e ao da Palestina, locais em guerra. O pior, na avaliação dos pesquisadores, é que o número de assassinatos vem crescendo a cada ano. "O Brasil vive uma epidemia de violência social", afirma um dospesquisadores da ong, Robert Muggah, que lembra que jovens entre 17 e 35 anos são os que correm mais risco no País. Na década de 90, quase 300 mil pessoas perderam suas vidas no Brasil atingidas por armas leves.Segundo Muggah, as perdas econômicas da violência são significativas. Cerca de 15% do PIB dos países latino-americanos é destinado para o tratamento de vítimas da violência e em segurança, cálculo que ainda inclui a perda de produtividade de um cidadão ferido por uma arma. "Apesar de saber do sofrimento e temor da população, políticas são estabelecidas e medidas são tomadas apenas quando transformamos a violência em prejuízos econômicos", afirma o pesquisador. Na avaliação de Muggah, outro problema enfrentado pelo Brasil é a existência de 18,5 milhões de armas no País. Desse total, apenas 7 milhões estão registradas. O País, segundo um relatório lançado hoje pela ong, ainda está entre os 13 maiores produtores de armas leves no mundo e um dos principais exportadores, juntamente com os Estados Unidos e Rússia. Segundo a ong, o mercado de armas também cresce no Brasil. Em 1996, cerca de 180 mil armas foram vendidas no País e o mercado nacional já era, na época, o segundo maior no mundo, apenas superado pelos Estados Unidos. Apesar das duras críticas sobre o Brasil, a ong reconhece que o governo e a sociedade civil estão empenhadas em combater o problema. Muggah lembra que é no País que ocorre, a cada ano, a maior campanha de destruição de armas no mundo, que até agora já tirou de circulação mais de 100 mil armas. No total, cerca de mil empresas produzem as armas leves no mundo, gerando uma renda de mais de US$ 7 bilhões, principalmente nos Estados Unidos e na Europa. "São mais de 630 milhões de armas circulando, sendo que 59% estãonas mãos de civis, e não de militares" conclui a ong.

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