Brasil tenta ampliar asilo a refugiados

País acolhe cerca de 4 mil estrangeiros em fuga de guerra ou vítimas de perseguição

Vannildo Mendes / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

16 Novembro 2010 | 00h00

Cobrado pela comunidade internacional, o Brasil começou a adotar uma série de medidas para ampliar a concessão de refúgio a pessoas em fuga de guerras ou vítimas de perseguição pelos mais diversos motivos no mundo.

Apesar de sua dimensão e posição estratégica, o Brasil acolhe 4.311 refugiados, número considerado insignificante frente a outros países, como o minúsculo Equador, que acomoda 500 mil colombianos que atravessaram a fronteira para fugir do conflito com as Forças Armadas Revolucionária da Colômbia (Farc).

Uma barreira é a distância do Brasil das regiões de conflito no mundo, como África e Oriente Médio. Outra dificuldade é a língua portuguesa, pouco conhecida. "Não é o Brasil que está limitando a vinda", garante o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto.

Na semana passada, Brasília sediou a Reunião Internacional sobre Proteção de Refugiados, Apátridas e Movimentos Migratórios Mistos nas Américas, que contou com a presença de representantes de 20 países e do diretor da Divisão de Proteção Internacional do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), Volker Turk.

A ideia do órgão é que todos os países das Américas incrementem políticas de reassentamento, para absorver refugiados do continente e de outras partes do mundo. "O Brasil já começou a criar espaços para reassentar refugiados colombianos que estão no Equador, em situação cada vez mais precária. "Essa política é importante porque estimula outros países a fazer o mesmo", destacou Turk. Segundo ele, a Colômbia tem 3,8 milhões de refugiados, muitos precisando de reassentamento. "A realidade requer resposta prática e legal para a situação dessas pessoas."

Entre os refugiados acolhidos no Brasil, 1.686 (ou 39,15%) são da Angola. Em segundo lugar no ranking vem a Colômbia, com 592 (13,73%). A seguir aparecem a República do Congo (431), Libéria (258), Iraque (201) e Cuba (133). "O Brasil tem refugiados de 76 nacionalidades", afirmou o ministro Barreto. "Isso acontece porque temos uma cultura de convivência harmônica e de ampla liberdade."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.