CNBB/Divulgação
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Brasil vive grave ameaça a conquistas sociais, diz embaixador

Rubens Ricupero analisou conjuntura na Assembleia Geral da CNBB e considerou haver condições de ultrapassar quadro negativo

José Maria Mayrink, Enviado especial de O Estado de S. Paulo

16 de abril de 2015 | 09h46

APARECIDA - O embaixador Rubens Ricupero, que foi ministro da Fazenda do governo Itamar Franco (PMDB) em 1994, afirmou nesta quarta-feira, 15, ao analisar a conjuntura social e econômica no auditório da Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Aparecida, no interior de São Paulo, que o País vive a mais grave ameaça às conquistas dos últimos 30 anos, por causa da queda do crescimento e do aumento do desemprego, mas tem condições de ultrapassar esse quadro.

"A situação é grave, mas melhor do que um mês atrás, por causa de decisões da presidente (Dilma Rousseff, do PT) ou de ações mais claras do ministro da Fazenda (Joaquim Levy)", disse Ricupero, acrescentando que parece existir a tendência de se normalizar a situação. Isso depende, em sua avaliação, da determinação de fazer que o Brasil não sofra nenhum retrocesso, no que todos estão de acordo. "Esse (consenso) é o denominador comum que poderá unir a todos", observou.

Embora seja grave, disse Ricupero, a situação não se pode comparar com a de 21 anos atrás. "Ao assumir o Ministério da Fazenda, em abril de 1994, a inflação estava em 55% ao mês. Estamos longe disso, mas, se o crescimento não for retomado, haverá a repetição da véspera do golpe militar. Temos de deter a deterioração, desenhando um ajuste que beneficie os mais pobres", alertou o embaixador, lembrando que os brasileiros estão começando a reduzir o consumo.

"O governo está consciente disso, os ministros da Fazenda e do Planejamento são altamente qualificados e capazes de fazer um projeto que não prejudique os mais vulneráveis", considerou Ricupero.

Ele advertiu que a Constituição deve ser preservada. "A Constituição (de 1988) criou uma democracia de massa", disse o ex-ministro, salientando que em 1945 o Brasil tinha 7,5 milhões de eleitores, dos quais só 6,3 milhões votaram, "quatro vezes mais que o eleitorado de 1930". São conquistas que o País só vai manter, se o crescimento for retomado na base de 3% a 4% ao ano.

Os 450 bispos participantes da Assembleia Geral ouviram com atenção a exposição de Ricupero, que falou sem ler texto ou anotações, mas com simplicidade e muita clareza, analisando a situação nacional com a experiência de sua passagem pelo governo. Oblata beneditino e católico fervoroso, ele citou d. Helder Câmara, Paulo VI e o papa Francisco, ao defender a busca do diálogo para solução dos problemas da crise, sempre partindo da defesa dos pobres.

Reforma política. O bispo auxiliar de Belo Horizonte e reitor da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas), d. Joaquim Mol Guimarães, defendeu o engajamento da CNBB na campanha por uma reforma política urgente, argumentando que, sem ela, nenhuma outra reforma será possível, a começar pela reforma agrária.

"Precisamos coletar 1,5 milhão de assinaturas para exigir a aprovação do projeto de lei de iniciativa popular e já conseguimos cerca de 700 mil", informou d. Mol, referindo-se à ação da Igreja nas paróquias.

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), adiantou à CNBB que pretende colocar o projeto de lei em votação no decorrer do mês de maio.

As principais mudanças propostas para a reforma com apoio da Igrejas são o financiamento público para os partidos, maior participação das mulheres no Legislativo e mudanças no sistema eleitoral, com a aprovação de projetos em um primeiro turno e escolha, em um segundo turno, das pessoas que vão executá-los.

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