ROBSON FRACAROLI / ESTADAO
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Brasileira é morta por engano a tiros em Lisboa

Segundo a polícia, o condutor do veículo não obedeceu ordem de parada e tentou atropelar os agentes; veículo teria sido atingido por mais de 20 disparos

Bruna Borelli e Julio Cesar Lima, Especiais para O Estado

16 Novembro 2017 | 10h41

A brasileira Ivanice Carvalho da Costa, de 36 anos, foi morta a tiros, por engano, pela polícia de Lisboa, em Portugal, na madrugada desta quarta-feira, 15, após ter seu carro confundido em uma perseguição policial. Os agentes de segurança estavam atrás de assaltantes de caixa eletrônico. Foi a primeira morte pela polícia neste ano no país europeu. 

De acordo com as autoridades portuguesas de segurança, o homem que dirigia o veículo desobedeceu à ordem dos policiais de parar e tentou atropelar os agentes. Em nota, a Polícia de Segurança Oficial disse que eles estavam à procura de criminosos que haviam furtado um caixa eletrônico em Almada, região de Lisboa na margem sul do Rio Tejo. O carro onde estava Ivanice “aparentava corresponder às características da viatura suspeita”.

Segundo a imprensa portuguesa, ela e o namorado estavam em um Renault Megane preto e o veículo envolvido no assalto seria um Seat Leon da mesma cor, que havia escapado de uma perseguição policial minutos antes. O carro foi atingido por pelo menos 20 tiros.

A mulher, que estava no banco do carona, foi atingida no pescoço. A polícia afirmou que ela foi socorrida logo após os disparos pelos próprios agentes e por socorristas chamados por eles. Já o motorista foi preso por “condução sem habilitação”, “desobediência ao sinal de paragem” e “condução perigosa”. O fato ganhou destaque nos jornais portugueses. Entre 2013 e 2015, o país não registrou nenhuma morte em confronto com forças policiais. 

O Ministério Público Distrital abriu investigação para apurar o caso. O ministro de Administração Interna, Eduardo Cabrita, assegurou se tratar de uma “circunstância infeliz” e destacou que “tudo será esclarecido”. Seis agentes da Polícia de Segurança Pública serão investigados pelo episódio. As autoridades não informaram sobre o paradeiro dos assaltantes do caixa eletrônico. A embaixada brasileira em Lisboa lamentou, por meio de nota, “profundamente”. Disse ainda já estar em contato com a família, a quem prestará o “apoio cabível.”

Revolta. Ao falar com a filha Ivanice pelas redes sociais na segunda-feira, Maria Luzia Silva Carvalho da Costa não imaginava que seria a última vez. “Foi uma injustiça muito grande que fizeram. Estamos procurando as autoridades do Brasil e Portugal para que algo seja feito.”

Ivanice nasceu na cidade de Amaporã, a 440 quilômetros de Curitiba, no noroeste do Paraná. Ela vivia há 17 anos em Lisboa e trabalhava em um restaurante do aeroporto local. A vítima ia para o trabalho no momento da perseguição. “Nossa maior dificuldade é trazer o corpo, pois não temos recursos, condições para isso”, afirma.

Maria Luzia viu a filha pela última vez em janeiro de 2008. Para ela, o governo português deveria custear o traslado do corpo. “Eles foram os culpados pelo crime e deveriam fazer isso, seria um pouco de justiça”, defende. Célia Mara, tia da vítima que vive em Portugal, está tratando dos trâmites burocráticos. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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