Yasin Temel/EFE/AE
Yasin Temel/EFE/AE

Brasileiras mortas em acidente de balão são enterradas no Rio

Corpos chegaram ao Brasil no sábado; cinco brasileiros continuam internados, segundo a embaixada na Turquia

Clarissa Thomé e Marta Cury Maia, O Estado de S. Paulo

03 de junho de 2013 | 11h12

Os corpos das três brasileiras mortas no acidente com o balão na Capadócia (Turquia), no dia 20 de maio, chegaram ao Brasil no sábado,1, e foram enterrados no Rio no fim de semana. No sábado, Marina Rosas, de 77 anos, foi sepultada no Cemitério São Francisco Xavier, no Caju. No mesmo local, foi cremada Maria Luiza Góes, de 71. No domingo, Ellen Kopelman, de 81 anos, foi enterrada no cemitério judaico.

Segundo informações da Embaixada do Brasil na Turquia, cinco brasileiros continuam internados. O laudo da Direção-Geral de Aviação Civil da Turquia sobre o acidente ainda não foi divulgado.

Os corpos das três amigas deixaram a Turquia na última quinta-feira, 30, em voo comercial da Lufthansa e chegaram ao Rio no sábado. "Foi um fim de semana de muita tristeza, em que estivemos em três enterros. Elas eram viúvas de engenheiros e formaram uma família. Viajavam juntas havia 20 anos", afirmou a engenheira Liesel Rosas, filha de Marina.

Liesel se ressente da falta de informações sobre as investigações a respeito do acidente. "Para mim, acidente é o Katrina, um tsunami. O que houve ali foi imperícia", afirmou. Ela disse que as famílias das vítimas do acidente estão tentando formar um grupo para brigar por seus direitos. "Estamos enfrentando dificuldades porque ainda há brasileiros na Turquia, com previsão de ficarem internados por mais três meses".

Liesel contou que cada um dos ocupantes do balão pagou 200 euros pelo passeio. No momento do acidente, havia 73 balões no céu. "É uma coisa mercantilista. Eles sobem com 25 passageiros e ganham 5 mil euros. É preciso ter ordenamento. Se aumentou muito o número de baloeiros, que se coloque torre de observação. Que se coloque limite de idade. Havia passageiros com 85 anos".

Ela disse ainda que, no momento do acidente, os ocupantes foram avisados pelo baloeiro da queda. "Vamos cair. Entrem em posição de queda", teria dito o piloto português. "Qual era a posição de queda? Que treinamento essas senhoras receberam? Elas são obrigadas a assinar um documento, assumindo o risco, mas é preciso que se tenha regras mais rígidas. Soube de pessoas que voaram no dia seguinte ao acidente e não foram avisadas das mortes. Há muita gente em risco", afirmou.

O choque. O acidente aconteceu por volta de 6h do dia 20 de maio, horário local, nas imediações do vilarejo histórico e turístico de Göreme, na província de Nevsehir, região central da Turquia.

De acordo com testemunhas, o balão no qual estavam os turistas brasileiros se chocou minutos após a decolagem com o cesto de outra aeronave. Com seu "envelope" de lona furado, o balão caiu de uma altura de 300 metros. Nos últimos 50 metros, esvaziado, o tombo se acelerou e intensificou o impacto com a terra.

Tudo o que sabemos sobre:
CapadóciaTurquiaqueda de balão

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.