Brasileiro barrado na Espanha terá acesso a banco

Acordo entre os 2 países ainda prevê contato direto com consulado

Ana Paula Scinocca, BRASÍLIA; Estela Viana, MADRI, O Estadao de S.Paulo

02 Abril 2008 | 00h00

Os brasileiros barrados nos aeroportos espanhóis não vão mais ser mantidos incomunicáveis, sem poder pedir ajuda aos consulados do País no exterior. Também para evitar barrar pessoas por suspeita de falta de dinheiro para custear viagens nos países da União Européia (UE), a polícia espanhola mandará instalar caixas eletrônicos nas áreas de controle imigratório. Dessa maneira, os estrangeiros sem dinheiro em espécie terão condições de fazer saques e provar a condição financeira - a quantia mínima exigida é de 60 por dia. Essas são duas das medidas acertadas ontem em uma negociação entre os governos do Brasil e da Espanha para pôr fim à crise diplomática entre os dois países. De janeiro a março deste ano, segundo o Itamaraty, 800 brasileiros foram deportados, depois de barrados nos aeroportos espanhóis. No auge da crise, em fevereiro, a média diária de expulsões era de 20 casos "inadmitidos". Para o subsecretário-geral das comunidades brasileiras no exterior, embaixador Oto Agripino Maia, com a reunião de ontem é possível dizer que "a crise, propriamente, foi superada". Na parte de relação consular, ficou decidido que os dois países vão trocar informações detalhadas, por meio das diretorias-gerais de assuntos consulares, a respeito de requisitos de entrada em ambos os países, procurando dar-lhes a máxima difusão. Também ficou decidido que se estabelecerá um sistema ágil de comunicação, tipo linha direta, entre o consulado e a polícia de imigração, de forma que possam ser tratados com rapidez os casos de inadmissão considerados injustos. Quem for barrado poderá entrar em contato com o Consulado-Geral, em busca de ajuda.Outra medida acertada consiste em reforçar a cooperação policial em questões imigratórias. Para isso, em um primeiro momento, prevê-se a possibilidade de que agentes do Brasil e da Espanha façam intercâmbio. A Polícia Federal brasileira deverá mandar alguns agentes para Madri, segundo Maia. Ao lado do cônsul-geral do Brasil na Espanha, Gelson Fonseca Júnior, e do embaixador, José Viegas, o subsecretário-geral do Itamaraty se reuniu, em Madri, com a secretária de Relações Exteriores da Espanha, Maria Jesus Figa. Segundo Maia, em nenhum momento no encontro de ontem as autoridades espanholas mencionaram que o aumento do número de brasileiros inadmitidos tem relação com a prostituição ou com o trabalho ilegal.

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