Brasileiro pega prisão perpétua nos EUA por matar ex-namorada

Segundo familiares, Marcello Almeida esfaqueou Patrícia Fróis na cidade de Marshfield depois que a jovem decidiu terminar o namoro

Leonardo Augusto, Especial para O Estado

19 Outubro 2015 | 21h51

BELO HORIZONTE - O entregador de pizzas Marcello Almeida, de Frei Inocêncio, Região Leste de Minas Gerais, foi condenado a prisão perpétua nos Estados Unidos pelo assassinato a facadas da ex-namorada, Patrícia Fróis, também de Frei Inocêncio, há quatro anos. O crime aconteceu em Marshfield, cidade de aproximadamente 30 mil habitantes no estado de Massachusetts, para onde o casal se mudou em 2007. 

Patrícia era faxineira de residências e trabalhava em uma lanchonete. O casal teve um filho, Bruno, hoje com 9 anos, que não se mudou para os Estados Unidos com os pais e vive com a avó materna em Frei Inocêncio.

O assassinato aconteceu em 24 de setembro de 2011. Em Massachusetts não há pena de morte. Segundo relato dos familiares de Patrícia, inconformado depois de ter o relacionamento rompido pela mulher, que à época tinha 24 anos, Almeida a esperou chegar ao prédio em que viviam antes do término e a esfaqueou dez vezes, em um dos corredores do edifício. "Foi tudo filmado e apresentado no julgamento. A polícia também mostrou as roupas, perfuradas a faca e ensanguentadas, que a Patrícia usava no momento em que foi atacada", afirma a avó da vítima, Jacira Ferreira do Nascimento.

O relato foi passado a Jacira pela filha, Roseli Fróis, mãe de Patrícia, convidada pela Justiça do Estado de Massachusetts a acompanhar nos Estados Unidos o julgamento, que durou 18 dias e terminou na última terça-feira. O júri era formado por nove mulheres e cinco homens. 

"No dia anterior ao crime, Almeida ligou para a Patrícia 232 vezes, conforme consta no celular que também ficou com a polícia e foi mostrado no julgamento", conta Jacira, com quem o filho do casal vem passando os últimos dias, por causa da viagem da avó. O garoto, segundo a bisavó, não sabe da história envolvendo o pai e a mãe.

A defesa de Almeida, hoje com 45 anos, vai recorrer da sentença, que é de primeira instância. "Estamos tranquilos. Temos que ver o que Deus reserva para a gente", afirma a irmã do condenado, Marlúcia Almeida, que vive em Frei Inocêncio. As duas famílias mantêm algum relacionamento na cidade. "Minha filha tem um coração muito bom. Perdoou, mas eu não quero mexida com esse povo", afirma Jacira. "Não quero nada ruim para o assassino da minha neta, mas o quero lá, preso", acrescenta.

À época do assassinato, ex-vizinhos do casal afirmaram que Almeida era muito agressivo com a ex-namorada, e a teria agredido várias vezes. Depois de matar Patrícia, o condenado tentou suicídio. Na sentença, o juiz responsável pelo processo, Thomas McGuire, determinou que não haja possibilidade de liberdade condicional para Almeida, que ficará preso no Massachusetts Correctional Institution. A defesa tem 30 dias para recorrer da sentença.

 

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