Brasileiro é preso por terrorismo no Líbano

Para advogado, pediatra do MT foi confundido com homônimo

Nelson Francisco, O Estadao de S.Paulo

21 de fevereiro de 2008 | 00h00

Cuiabá - O pediatra brasileiro Mohamad Kassen Omais, morador de Cuiabá, foi preso, na sexta-feira, ao desembarcar em Beirute, Líbano. A alegação das autoridades é de que ele está numa lista de procurados por terrorismo. Mas, segundo o advogado da família, Ayad Fares, quem está na lista é um homônimo do brasileiro. "O que sabemos até agora é que a pessoa procurada pela polícia seria natural da cidade de Tiro, no sul do país. Eles inclusive compartilham o mesmo nome do pai, diferindo, apenas, no nome da mãe", disse Fares ao site da BBC Brasil.O médico está numa prisão do setor de inteligência das Forças de Segurança Interna do Líbano, em Beirute. As autoridades libanesas não permitem que ele seja visitado pela família ou por representantes do consulado brasileiro. Omais, porém, ligou duas vezes para a mulher, a também médica Gisele do Couto Oliveira, e disse que estava sendo bem tratado. O cônsul do Brasil em Beirute, Michael Gepp, disse ao site da BBC que, caso o governo brasileiro não tenha acesso a Omais até hoje, o consulado pode tratar a prisão como incidente diplomático.Omais e Gisele foram ao Líbano buscar os três filhos, em férias com os avós em Qaraaoun, leste do país. Médicos conceituados, ambos são professores, desde 2001, da Universidade de Cuiabá (Unic) e atendem na Clínica Femina, uma das mais requisitadas da cidade. O chefe do Departamento de Medicina da Unic, Marcial Galera, atestou a idoneidade de ambos. "Desconhecemos qualquer atividade terrorista desses médicos", informou, por meio de Assessoria de Imprensa. Colegas de profissão que não quiseram se identificar ficaram surpresos com a notícia. "Não pode ser a mesma pessoa. Deve haver algum engano", disse um pediatra conhecido de Cuiabá. O Conselho Regional de Medicina e a direção da clínica não se manifestaram. Na casa de Omais, num bairro nobre, ninguém foi localizado. Seu irmão, o também médico Ali Kassen Omais, disse à Agência Brasil que Mohamad não tem ligação com terroristas. "O único vínculo dele com o Líbano é que nossos pais são libaneses e, hoje, vivem lá."

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