Wenderson de Jesus
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Brasileiro e venezuelano morrem após confusão por suspeita de furto em Roraima

Caso aconteceu em Boa Vista; de acordo com a PM, o conflito teria começado após o furto de pães em uma mercearia

Cyneida Correia, Especial para O Estado

07 Setembro 2018 | 19h28
Atualizado 07 Setembro 2018 | 23h05

Correções: 07/09/2018 | 21h02

BOA VISTA - A tensão entre brasileiros e venezuelanos em Roraima registrou nesta quinta-feira, 6, mais episódio trágico. Um venezuelano foi assassinado a pedradas e pauladas depois de matar um brasileiro com uma facada. O caso aconteceu após um suposto furto no bairro Jardim Floresta, localizado na vizinhança de um abrigo improvisado com mais de 300 venezuelanos, em Boa Vista.

Segundo a polícia, três venezuelanos tentaram furtar pães em um comércio e foram perseguidos por cerca de seis brasileiros. Um deles, o autônomo Manoel Siqueira de Sousa, de 35 anos, conseguiu alcançar um dos venezuelanos, que o esfaqueou na garganta. O autônomo foi socorrido e encaminhado ao hospital, mas não resistiu.

Logo após o crime, o venezuelano foi perseguido por moradores do bairro. Jose Rodrigues, de 21 anos, foi morto a pauladas e pedradas. Os golpes foram desferidos principalmente na cabeça da vítima. O Estado esteve no local do crime, mas ninguém quis dar entrevista. À PM, moradores da redondeza do abrigo teriam contado que os venezuelanos que vivem na região estariam cometendo pequenos furtos.  Logo após os crimes, a segurança no local foi reforçada por agentes da Força Nacional de Segurança.

Em nota, a Polícia Civil disse que "são muito comuns os furtos nos supermercados daquela região praticados por venezuelanos e que após a criação do abrigo naquela área os crimes desta natureza aumentaram exponencialmente". "Essa situação demonstra a falta de controle da entrada de venezuelanos na fronteira, pois não sabemos se eles eram criminosos na Venezuela ou pessoas de bem. Vários imigrantes praticam crimes em Roraima, estão sendo identificados e indiciados. Não concordamos com esses linchamentos públicos, pois quem for pego praticando ilícitos será identificado e inclusive pode até ser deportado", declarou a delegada-geral de Roraima, Giuliana Castro.

Correções
07/09/2018 | 21h02

Versão anterior desta matéria informava incorretamente que o caso havia acontecido nesta sexta. O caso aconteceu na quinta-feira, 6. A informação foi corrigida em nova versão. 

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