Brasileiro que vive nos EUA sente-se discriminado

Os brasileiros que migram para os Estados Unidos achanm que são vistos de forma estereotipada. Futebol e carnaval ainda são as imagens mais associadas a eles, em sua opinião. Essas são conclusões de uma pesquisa da professora de Sociologia Ana Cristina Braga Martes, da Fundação Getúlio Vargas, que deu origem ao livro Frontreiras Cruzadas ? Etnicidade, Gênero e Redes Sociais.Em entrevista ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional AM da Radiobrás, a socióloga contou como os brasileiros vivem noCanadá, Estados Unidos e nos países europeus. Segundo Ana Cristina, um dos objetivos da pesquisa foi tentar descobrir qual é a percepção que um brasileiro tem de si quando vive em uma sociedade tão diferente da sua, como é o caso da norte-americana.A comunidade brasileira nos Estados Unidos não é considerada um grupo nacional, de acordo com a professora. "Somos tratados lácomo hispânicos e os brasileiros não se sentem bem nessa categoria social, que é a mais discriminada por ser a mais pobree com o menor nível de instrução nos Estados Unidos" explicou. O fluxo migratório para essas regiões ocorre há mais de 20 anos e os migrantes são, na maioria, pessoas que não conseguiram estudar o suficiente para colocar-sede forma segura no mercado de trabalho brasileiro. Geralmente, são homens e mulheres jovens, que deixaram o campo e foram para as cidades, junto com a família. "Essa é uma característica comum aos fluxos migratórios em todo o mundo. As pessoas quando percebem que não vão conseguir atingir suas aspirações procuram outras fronteiras, outros lugares para morar", explicou Ana Cristina.Quanto às dificuldades que se apresentam para aqueles que têm intenção de sair do país, a socióloga diz que, hoje em dia, équase tão difícil ou tão fácil sair de Minas Gerais para o Tocantins, ou do Brasil para a Flórida, já que o custo para viajar ao exterior não é mais tão alto como há trinta anos.A socióloga revelou que os brasileiros pesquisados que vivem no exterior demonstram o desejo de voltar. Segundo ela, essedesejo está associado ao motivo inicial da migração: conseguir algum dinheiro, uma poupança, e voltar ao Brasil para abrir umnegócio. No entanto, a realização desse sonho está mais difícil, já que permanecer de forma legal nos Estados Unidos não é uma tarefa simples, principalmente depois dos atentados de 11 de setembro de 2001.De acordo com a pesquisa, o número de brasileiros deportados não é exato: pode ser de um a dois mil. Nos Estados Unidosvivem hoje mais de 800 mil brasileiros. Ela ressaltou que a deportação não é a forma que qualquer ser humano escolheria paravoltar ao país de origem. "Para essas pessoas, com certeza, é uma derrota, um fracasso e provavelmente elas se sentem muitomal ao chegarem aqui, porque não estão voltando da maneira que pensaram" disse a socióloga.

Agencia Estado,

08 de janeiro de 2004 | 17h15

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