AP
AP

Brasileiro rejeita fazer os seus 'três últimos pedidos' na Indonésia

Segundo informações da BBC Brasil, Rodrigo Gularte está confiante de que a sentença não será cumprida; ele pode ser morto na terça

O Estado de S. Paulo

26 de abril de 2015 | 12h51

O paranaense Rodrigo Muxfeldt Gularte, de 42 anos, que deverá ser executado na Indonésia, rejeitou neste domingo, 26, fazer seus três últimos pedidos e expressou confiança de que a sentença não será cumprida, segundo informações da BBC Brasil.

Ainda de acordo com a BBC, o advogado Ricky Gunawan disse que o brasileiro alterou momentos de lucidez com discursos "delirantes", no qual disse acreditar que sua execução não seja realizada.

"Quando falamos da execução, ele disse que houve uma conferência internacional de procuradores ontem (sábado, 25) e hoje (domingo), que a pena de morte foi abolida e que ele não será executado", afirmou o Gunawan à BBC. "Disse, por exemplo, que a água em Cilacap e em todos os lugares é intoxicada e que a gente devia ter cuidado."

Notificação. Gularte recebeu notificação neste sábado de que será executado por fuzilamento a partir de terça-feira. Ele foi preso em julho de 2004 e, no ano seguinte, foi condenado à morte. Mais oito presos pelo mesmo delito foram informados sobre a pena.

A informação sobre a notificação foi fornecida pelo Itamaraty, acrescentando que as autoridades brasileiras seguem em negociação na tentativa de reverter a pena. Pelas leis indonésias, a confirmação oficial da execução ao prisioneiro tem de ser feita com, pelo menos, 72 horas de antecedência. 

A execução também foi comunicada a um representante da Embaixada do Brasil na Indonésia, em reunião realizada na prisão de Nusakambangan, em Cilacap, a 400 quilômetros de Jacarta. Foram convocados para o encontro diplomatas de todos os países que têm cidadãos no corredor da morte.

Receberam a notificação formal da execução, além de Gularte, dois australianos, uma filipina, três nigerianos, um ganês e um indonésio. Apenas um francês, que constava da lista de condenados, não recebeu a confirmação porque ainda cabe um recurso.

A confirmação da execução do paranaense ignora os pedidos de clemência feitos pelo governo brasileiro.

Segundo caso. Gularte foi preso em 2004 no Aeroporto de Jacarta ao tentar entrar no país com seis quilos de cocaína escondidos em uma prancha de surfe. Caso a decisão seja aplicada, o paranaense será o segundo brasileiro a ter uma sentença de pena de morte executada no exterior. O primeiro foi o carioca Marco Archer Cardoso Moreira, de 53 anos, morto em janeiro após ser condenado 11 anos antes pelo mesmo crime, também na Indonésia.

A execução de Moreira abriu uma crise diplomática entre Brasil e Indonésia. Em represália, a presidente Dilma Rousseff (PT) chamou a Brasília o embaixador do Brasil em Jacarta para consultas e se recusou a receber as credenciais do novo embaixador indonésio no Brasil, Toto Riyanto, em 20 de fevereiro.

Por isso, hoje o principal representante indonésio no Brasil é um ministro-conselheiro, e não o embaixador.

Tudo o que sabemos sobre:
IndonésiaBrasilPena de morte

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.