Brasileiros ainda enfrentam atraso em vôos na Argentina

Aerolíneas diz que problema se deve à venda execissa de passagens; turistas ameaçam funcionários da empresa

Marina Guimarães e Luiz Raatz - estadão.com.br,

28 de julho de 2008 | 11h52

Dois vôos da Aerolineas Argentinas que sairiam da Argentina para o Brasil nesta segunda-feira, 28, ainda estão atrasados no Aeroporto Internacional de Ezeiza, nos arredores de Buenos Aires. Os problemas com vôos da companhia, que começaram no final de semana devido a venda excessiva de passagens, melhoraram nesta segunda-feira, mas ainda persistem. Turistas que viajam pela Argentina estão presos no Aeroporto Jorge Newberry, que opera vôos regionais e para Montevidéu.   Aerolíneas vende passagens a mais e prejudica centenas de brasileiros Após domingo de caos, vôos argentinos continuam atrasando Segundo a Aeropuertos Argentinos, empresa que administra maior parte dos aeroportos do país vizinho, o vôo AR1242 que deveria ter deixado Buenos Aires em direção a São Paulo às 11h10 ainda não decolou. Os passageiros foram orientados a procurar a companhia aérea. O vôo 125, com destino ao Rio de Janeiro, que sairia às 19h55, foi remarcado para as 21h45. Três viagens da Aerolineas, para São Paulo, Rio e Porto Alegre, saíram nesta manhã com atrasos de até quatro horas.O vôo JJ8019 da TAM para São Paulo previsto para às 14h10 de hoje está com previsão de meia hora de atraso. Na manhã desse domingo, no aeroporto internacional de Ezeiza, os brasileiros se aglomeravam nos corredores. Um grupo de turistas que esperava desde o sábado para voltar ao Rio mostrava irritação e algumas pessoas tentaram agredir funcionários da companhia. Uma passageira, que havia despachado seus remédios na mala, passou mal, teve um início de convulsão e precisou ser atendida por médicos.    No Jorge Newberry, centenas de turistas sofrem com o atraso. O caos começou no fim de semana e promete se prolongar durante esse início de férias de inverno na Argentina. Três vôos da empresa ainda estão atrasados, para Bariloche, Cordoba e Montevidéu. Os destinos mais prejudicados são para a Patagônia e o Norte do país. Pela manhã, 16 viagens saíram fora do horário. O aeroporto está repleto de turistas europeus, norte-americanos e brasileiros que protestam, gritam e xingam os comissários da companhia. A assessoria de imprensa da Aerolíneas explica que "faltam aeronaves para atender a todos os vôos programados pela administração anterior e, por isso, alguns são reprogramados, provocando atrasos". No domingo, 18 vôos sofreram atrasos de até 24 horas. A companhia, que passou das mãos do grupo espanhol Marsans para o governo argentino há duas semanas, alega que o problema se deve à venda excessiva de passagens para os 28 aviões em operação. "A maioria das naves está fora de serviço por falta de manutenção e provoca o overbooking", argumentou o ministro do Planejamento e Obras, Julio De Vido, que acusou a Marsans de emitir passagens - em valor equivalente a US$ 140 milhões (cerca de R$ 224 milhões) sem ter uma frota com capacidade para atender aos passageiros. Segundo os sindicatos, a Marsans emitiu passagens como se todos os 67 aviões da empresa estivessem em pleno funcionamento.   Mesmo com espera de até 24 horas, os passageiros alegam que não são oferecidas por parte da companhia refeições e hospedagens em hotéis, como pressupõe a regulamentação do setor.   HISTÓRICO DE CRISES No início de 2008, o país sofreu um apagão aéreo provocado por uma seqüência de greves de pilotos e aeromoças, além da forte neblina e fumaça nos aeroportos de Buenos Aires. Entre março e abril, os aeroportos foram atingidos pela fumaça das queimadas na área rural perto da capital. Em maio, foi a vez das cinzas do Vulcão Chaitén, no Chile, que se espalharam até o sul do país, interrompendo o trânsito aéreo.   Mas o problema com os vôos da Aerolíneas e Austral vêm ocorrendo há cerca de dois anos e a cena de caos nos aeroportos se repete a cada período de férias. A empresa estatal criada em 1950, foi privatizada em 1991 pelo governo do então presidente Carlos Menem. A companhia foi vendida para a estatal espanhola Iberia, que desmantelou os ativos da Aerolíneas para pagar dívidas. Mas, em 2001, já à beira da falência, a Iberia repassou a Aerolíneas para o grupo privado espanhol Marsans pelo preço simbólico de um euro.   Com as tarifas congeladas desde 2002, o grupo Marsans alegou que era impossível administrar a companhia e os problemas se agravaram a ponto de o governo retomar a empresa. Há quase duas semanas, a companhia aérea iniciou seu processo de reestatização, que estará completo em 55 dias. Nesse período, a Marsans transferirá gradualmente a Aerolíneas para o Estado argentino.   Paralelamente, o governo de Cristina Kirchner enviou um projeto de lei ao Congresso para que os parlamentares discutam como deve ser feita a reestatização da Aerolíneas.   Atualizado às 13h42 para acréscimo de informações  

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